Fórum Económico Internacional de São Petersburgo.

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A semana passada fica marcada pela realização de mais um Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (SPIEF) que consiste numa plataforma que reúne os líderes das potências econômicas emergentes e representantes de diversas organizações para identificar e deliberar sobre os desafios mais importantes com os quais a Rússia, os mercados em desenvolvimento e o mundo em geral se deparam. O evento é realizado anualmente desde 1997 e, a partir de 2006, conta com o patrocínio e a participação do presidente da Federação da Rússia. A agência internacional de notícias Rossiya Segodnya é o parceiro informativo oficial do fórum.

Caso Huawei: EUA fomentam uma iminente guerra tecnológica global, afirma Putin.

O presidente russo Vladimir Putin disse que os esforços dos EUA para tirar a gigante de tecnologia chinesa Huawei do mercado global podem ser um sinal de que uma nova guerra tecnológica está chegando.

“Tome a situação em torno da empresa Huawei, por exemplo. Não há tentativas de desafiá-la, mas de forçá-la descaradamente a sair do mercado global”, avaliou Putin ao público no Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo nesta sexta-feira.

“Em alguns círculos, até é chamada a primeira guerra tecnológica da próxima era digital”, acrescentou.

Washington há muito critica a Huawei e outra empresa chinesa de tecnologia, a ZTE, por supostas ligações com o governo chinês. Em maio, quando a guerra comercial entre Washington e Pequim se intensificou, a administração do presidente Donald Trump colocou na lista negra a Huawei, citando preocupações com a segurança nacional.

Putin explicou ainda que as tentativas de monopolizar uma nova onda tecnológica por parte de alguns países dificultam a solução do problema da desigualdade global e levarão à desestabilização.

Apesar das negações repetidas da Huawei sobre as acusações feitas por Washington, as principais empresas globais de tecnologia, como Google, Intel e Qualcomm, começaram a cortar seus laços com a empresa chinesa para cumprir a proibição dos EUA. A Huawei já entrou com uma moção em um tribunal dos EUA para derrubar a proibição de seus produtos, dizendo que foi alvo de “violação do devido processo legal”.

A cruzada de Washington contra a empresa chinesa acontece quando as duas maiores economias do mundo estão envolvidas em uma disputa comercial, que resultou em tarifas de milhares de milhões em importações.

A escalada mais recente fez com que os EUA aumentassem as tarifas para 25%, sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses, e a China voltasse com tarifas de até 25% sobre 5.000 produtos dos EUA, no valor de US$ 60 bilhões.

Presidente russo quer mitigar o papel do Dólar no comércio internacional.

Putin diz que “a confiança no dólar está a cair” e que a moeda é utilizada pelos EUA para pressionar todo o mundo. Declarações do presidente surgem numa altura de grande tensão entre EUA e Rússia.

O presidente russo, Vladimir Putin, apelou esta sexta-feira a que se repense o papel do dólar no sistema financeiro mundial, dizendo que a moeda norte-americana se tornou “um instrumento de pressão” de Washington e está atualmente em declínio.

Putin considera que “a confiança no dólar está a cair”, mas a Rússia continua a estar fortemente dependente da moeda norte-americana para o seu comércio externo, num momento de fortes tensões políticas com Washington.

“É evidente que estas mudanças profundas requerem a adaptação dos organismos financeiros internacionais, que devem repensar o papel do dólar, que deixou de ser uma moeda de reserva para se transformar num instrumento de pressão do seu país sobre o resto do mundo”, afirmou o presidente russo, à margem de um fórum económico que decorre em São Petersburgo.

O clima de tensão entre a Rússia e os EUA aumentou de tom, depois de o Governo do presidente norte-americano Donald Trump ter imposto drásticas sanções económicas a Moscovo.

A Rússia continua dependente da moeda norte-americana para o comércio, nomeadamente no setor dos hidrocarbonetos, que têm um forte peso na sua economia. Apesar disso, há vários anos que o Governo russo procura diminuir a dependência do dólar, procurando usar moedas locais nas transações com outros importantes parceiros, como é o caso da China.

De acordo com dados do banco central russo, entre 2013 e 2017, a participação dos pagamentos em dólares norte-americanos nas exportações de bens e serviços caiu de 80% para 68%. Ao mesmo tempo, a participação do euro subiu de 9% para 16% e a do rublo de 10% para 14%. Para as importações, o movimento é menos forte, mas a presença do dólar passou de 41% para 36%.

Em outubro, o vice-primeiro-ministro, russo Yury Borissov, anunciou que a Índia pagaria em rublos, a moeda russa, a compra de sistemas antiaéreos russos S-400.

Índia prioriza acordos ligados ao nuclear, espacial e tecnológico com a Rússia, diz embaixador.

A Índia deve diversificar os laços econômicos com a Rússia, já que novos acordos na economia digital, energia nuclear e espaço devem ser fechados em setembro, durante a visita do primeiro-ministro Narendra Modi, declarou o embaixador da Índia na Rússia.

O diplomata fez as declarações durante o fórum econômico russo que acontece em São Petersburgo. Em uma entrevista à RT, Bala Venkatesh Varma, que foi nomeado embaixador da Índia na Rússia em agosto de 2018, saudou “relações historicamente amistosas testadas pelo tempo” entre os países, mas insistiu que ambas as nações “podem fazer mais”.

“A diversificação econômica de nossas relações é uma prioridade, também em novos setores como a economia digital, novas áreas no setor nuclear, espaço, energia”, declarou.

A maioria dos acordos estará relacionada ao desenvolvimento das regiões orientais da Rússia, observou o funcionário.

“O Extremo Oriente é a prioridade para a Rússia e levamos as prioridades russas muito a sério”, prosseguiu o embaixador, acrescentando que o governo indiano se esforça para apoiar a ordem econômica multilateral na qual os interesses de todos os países serão protegidos.

O primeiro-ministro Modi será o principal convidado do Fórum Econômico Oriental, que será realizado em setembro em Vladivostok, a maior cidade da Rússia na costa do Pacífico. O evento de alto nível realizado anualmente tem o objetivo de fomentar o comércio russo e projetos conjuntos com a região Ásia-Pacífico.

Moscovo e Nova Déli estão desfrutando de uma cooperação econômica frutífera, particularmente na esfera militar. No ano passado, os países concordaram com o fornecimento de sistemas de mísseis S-400 da Rússia, no valor de US$ 5,4 bilhões, e selaram um acordo sobre quatro fragatas de mísseis guiados da Rússia para a Marinha indiana.

Os investimentos entre os países ultrapassam US$ 30 bilhões, com as autoridades a esperarem aumentar esse número para US$ 50 bilhões até 2025.

Angola: destaque para Isabel dos Santos e a sua visão para África ligada a educação e investimento.

A “engenheira criadora de empregos para angolanos” sublinhou que, embora Angola esteja buscando investimentos estrangeiros, o país precisa da cooperação de longo prazo com seus parceiros que deveria ser mutualmente vantajosa. “Precisamos realmente de investimentos, mas sobretudo precisamos de intercâmbio dos investimentos sustentáveis. Esses investimentos fazem sentido para os parceiros, para as empresas russas, mas também para investidores e parceiros angolanos. Acho que pode ser encontrar o equilíbrio que realmente conte pontos de interesse de ambas as partes e em cima desse interesse de negócios construir uma cooperação econômica mais forte e mais sólida entre os dois países”, disse a empresária.

Hoje em dia, a maioria dos investimentos russos na economia angolana é canalizada ao setor energético e indústria de mineração. Entretanto, a situação econômica moderna exige cooperação nos setores mais inovadores. Para Isabel dos Santos, no caso da Rússia, poderia se tratar de investimentos das empresas russas no setor de educação angolano.

Para além disso, Dos Santos pede maior atenção aos sectores das infraestruturas e da energia.

“As trocas comerciais entre os países africanos ainda é muito difícil devido às más ligações de vias de transporte. É essencial construir um bom mapa de rotas de comércio interno para libertar o potencial africano”, afirmou a empresária, citada num comunicado divulgado este sábado.

“A barragem da Capanda, em Angola, é um exemplo de um grande investimento da Rússia naquele país, feito em tempo de guerra, e que ainda hoje serve uma importante parte da capital em termos de energia elétrica. Gostaria de ver mais investimento russo como este”, adiantou.

Fonte: Sputnik, dinheirovivo, Observador, Lusa e DN.

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