O Fundo Monetário Internacional, FMI, aprovou a entrega de mais 248 milhões de dólares a Angola ao abrigo do seu programa de apoio de 3.700 milhões e avisou que o governo enfrentou “desafios” no seu programa de reformas devido a factores externos como a instabilidade dos preços de petróleo.

Num comunicado o presidente interino do Conselho Executivo da organização, David Lipton, revelou por outro lado que as autoridades angolanas estão a preparar um plano de restruturação do maior banco estatal do país, o BCP e que o governo tenciona acabar com todos os subsídios.

As autoridades angolanas demonstraram um grande empenho para com as políticas ao abrigo do programa apoiado pelo fundo”, diz o comunicado que depois avisa no entanto que “um ambiente externo enfraquecido, notavelmente a alta volatilidade no preço internacional do petróleo, constitui desafios aos seus esforços de reforma”.

O FMI saudou as respostas do governo angolano a esta situação fazendo notar a aprovação de um orçamento revisto que vai permitir a continuação da “consolidação fiscal”.

“Isto é apoiado por um pacote conservador de despesa, que mantém os gastos sociais e pela mobilização de rendimentos não petrolíferos, incluindo a adopção do imposto de valor acrescentando em meados de 2019”, diz o FMI que afirma ainda que “uma posição fiscal prudente e aderência à recém publicada estratégia de administração da dívida são importantes para se assegurar a sustentabilidade da dívida”.

“As autoridades estão comprometidas em gradualmente eliminarem os subsídios e eliminarem atrasos em pagamentos”, acrescenta o comunicado que revela ainda que as autoridades angolanas estão “a desenvolver um programa de transferência de fundos (cash-transfer program) para mitigar os efeitos colaterais das reformas nos mais vulneráveis”.

O montante de 3,7 mil milhões de dólares do Fundo Monetário Internacional (FMI), contraído por Angola, é o maior disponibilizado por este organismo a um país da África Subsaariana.

A negociação para entrega da segunda tranche teve início em Março do presente ano, numa missão liderada por Mário Zamaroczy, que se estendeu até Abril, ficando marcada pela emissão de um comunicado pelo Ministério das Finanças angolano onde não foram apresentadas quaisquer conclusões sobre os encontros, sinalizando a estadia em Washington, no âmbito das Reuniões da Primavera promovidas pelo Fundo e pelo Banco Mundial (BM), como novo ponto de encontro de modo a dar continuidade ao processo.

Fonte: VOA, DN, Lusa