A mensagem do Professor Petróleo e do Dr. Cobre.

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O preço do petróleo atingiu em Outubro de 2018 o valor mais alto dos últimos quatro anos. E no espaço de um mês anulou todos os ganhos de 2018, recuando quase 30% face aos máximos do ano, entrando em terreno negativo. Será esta uma mensagem poderosa dos mercados petrolíferos para toda a economia? Os anúncios da OPEC de ajuste à produção e as constantes subidas e descidas da oferta não justificam, por si só, tanta volatilidade.

Num texto publicado pela Bloomberg, o gestor de fundos de commodities Komal Sri-Kumar, levanta uma preocupação mais abrangente ao nível do crescimento mundial. Assente no comportamento do preço do petróleo e do cobre, cujas recentes quedas indiciam um abrandamento da economia global, o especialista traça um cenário preocupante para o futuro. Países como a Alemanha e o Japão, cujos recentes dados macroeconómicos revelaram uma contracção do produto interno bruto no terceiro trimestre deste ano, começam a acusar uma crise de crescimento. Daqui até à extrapolação para uma recessão mundial, é um pequeno passo, nas palavras de Sri-Kumar.

A mensagem implícita na correcção brusca do preço do petróleo é secundada pela forte queda da cotação do cobre, também conhecido nos mercados financeiros por “Dr. Cobre”. Esta designação decorre da sua capacidade em prever as ondas que caracterizam os ciclos económicos. Sendo o cobre uma matéria prima usada transversalmente nos vários sectores de actividade, desde as fábricas à habitação, passando pela indústria eléctrica, a sua cotação funciona como um barómetro de recessões e booms económicos. E o cobre recuou cerca de 20% desde que em Junho último atingiu o preço mais elevado em quatro anos.

Com uma guerra comercial de tarifas alfandegárias em curso, um Brexit cada vez mais indefinido que abre brechas no governo do Reino Unido, os mercados emergentes, endividados em dólares, a sofrerem com a valorização na moeda norte-americana e uma Europa desunida e enferma, convém dar ouvidos ao Dr. Cobre.

À excepção dos Estados Unidos, onde o crescimento económico aparenta alguma robustez e o dólar se fortalece face às principais moedas, as restantes grandes economias do G7 atravessam um período crítico de estagnação. Com o preço das matérias primas em queda, a leitura sugerida para este cenário por Kumar é de que os investidores deveriam prestar mais atenção à mensagem do Dr. Cobre e do Professor Petróleo do que ao optimismo de Trump e da FED. E porque dificilmente um país resiste sozinho em contraciclo a uma recessão mundial, Komal deixa um último conselho aos investidores. Reduzir a exposição às acções, dado que serão as primeiras a constipar-se se o Dr. Cobre acertar novamente no diagnóstico.

Fonte: dinheirovivo, Bloomberg

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