Sonangol emprestou 820,5 milhões de dólares para construção de fábrica de cimento. Governo exige regularização do montante.

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A fábrica de Cimento do Cuanza Sul – FCKS, para a qual o Estado, através da Sonangol, petrolífera estatal, emprestou 820,5 milhões de dólares (727 milhões de euros), valor que até à data não foi devolvido aos cofres do Estado, “tendo em conta o interesse nacional e o facto de a mesma estar em funcionamento pleno” decidiu celebrar um contrato de regularização da dívida, em que estarão devidamente salvaguardados os seus interesses e a manutenção dos postos de trabalho.

Em 2017, a Sonangol relembrava que a FCKS, tinha sido construída em 2010 recorrendo na sua totalidade a um financiamento da petrolífera, valor que se encontrava “totalmente em dívida”, acrescido ainda de juros, no valor de 54 milhões de dólares (45,9 milhões de euros), que não foi reembolsada, até a data, nenhuma das prestações já vencidas.

A empresa adiantava ainda ser “do conhecimento público que, entre 2014 e e 2017, a FCKS teve várias paragens de produção, relacionadas com diferentes motivos não ligados ao abastecimento de ‘fuel oil’. A cimenteira funciona ainda com gasóleo como fonte alternativa, e já se encontrava, em 2016, com um número reduzido de trabalhadores e produções muito abaixo da sua capacidade”, lê-se no comunicado.

Na altura a cimenteira alegou estar a ser “vítima de perseguição por um concorrente” cuja agenda estava associada a uma estratégia de solidificação de um monopólio.

Hoje, nem monopólio, nem se presencia a existência de uma empresa competitiva.

Num ambiente económico complexo, com a absoluta depressão por parte da actividade industrial, em quantos anos conseguirá a fábrica de Cimento do Cuanza Sul – FCKS desembolar 820,5 milhões de dólares para pagar a Sonangol, sendo este valor quase equivalente a tranche do FMI e a alguns empréstimos aos quais o Estado recentemente recorreu?

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