CAFÉ: Fazenda Vissolela faz a diferença.

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A primeira fase do projecto prevê o cultivo de mil hectares, 200 dos quais até ao final ao ano, segundo o gerente da unidade, Enio Miranda, que apontou para previsões de colheita de cerca de quatro toneladas por hectare. “No quinto ano, teremos mil hectares de café, com recurso à irrigação”, disse.

Enio Miranda disse haver “enormes expectativas” do projecto vir a tornar a Quibala numa referência das exportações do café angolano, notando que o objectivo é ultrapassar as metas de produção por hectare. “Não adianta trabalhar em áreas grandes, mas sim melhorar a produção por hectare e especializar-se em culturas que acrescentam uma mais-valia para a exportação e consumo interno, com uma aposta clara na qualidade”.
Alertando para os “erros” que muitos fazendeiros cometem ao apostarem em muitas culturas, descurando a melhoria da qualidade, a rotatividade das terras e a implementação de sistemas tecnológicos, Enio Miranda anunciou que a “Vissolela” prevê um investimento adicional de quatro milhões de dólares para a montagem de uma fábrica de descasque de café. “Vamos produzir ‘café especial’ e o equipamento virá preparado especialmente para isso”, referiu.
A montagem da fábrica de descasque é um projecto a médio prazo, algo que o empresário considera essencial para a valorização do café angolano no mercado internacional. “A Europa, sobretudo, está agora a consumir muito café africano, como o do Quénia, Tanzânia, Ghana e Costa do Marfim, que é de qualidade alta, e nós queremos entrar messe mercado”, referiu.
Enio Miranda reconheceu as debilidades do agricultor em toda a cadeia da comercialização do café, com os industriais ou compradores a ditarem o preço. “Queremos inverter o quadro, com uma aposta clara na qualidade, pois sem isso quase que imploramos para vendermos”. Os níveis preconizados para a produção de café na fazenda “Vissolela” poderiam, entretanto, ser mais ambiciosos, não fosse os custos elevados, sobretudo com a desmatação da terras, como explicou o gestor.
“Podemos plantar mais, mas é bastante oneroso por causa da preparação das terras, pois temos de corrigir os solos, que aqui no planalto central, onde está a Quibala, são muito ácidos. Temos de remover toneladas e toneladas de raízes”, afirmou, notando que poder-se-iam “plantar mil hectares por ano, mas teria que ser em solos já trabalhados, como no Brasil. É necessário colocar o estrume e o adubo especial para o café”.

Mais fazendas

O gestor defende que um projecto como o da “Vissolela” deve ser replicado na Quibala e outras localidades do país, para que o comprador ou industrial tenha mais opções, tornando mais atractivo o produto no mercado angolano. “Para a exportação do café ‘dar certo’, tem que haver mais fazendeiros, pois os mil hectares não representam nada. Os compradores têm que levar de Angola navios cheios de café”, sublinhou, indicando que para o país estar entre os cinco primeiros produtores a nível mundial teria que trabalhar em 70 mil hectares.
“Há espaço para todos. Se nós chegarmos aí, todos vão vender e a bom preço, mas se forem apenas cinco ou seis fazendas não vamos conseguir competir com o Brasil ou o Vietname, segundo maior produtor do mundo, pois a Colômbia ou a Venezuela produzem muito pouco, devido às montanhas, ao contrário de Angola, que possui muitas planícies”, adiantou.
O projecto de produção de café na fazenda “Vissolela” tem também o potencial de alavancar pequenos agricultores que deveriam receber do Estado “algumas plantas” de café para trabalharem em dois ou três hectares e garantirem a sua sobrevivência, como defendeu Enio Miranda. “O café é uma árvore, não necessita de cuidados especiais e pode ser um produto importante para a criação de riquezas”, sublinhou.

Aposta no milho

Enio Miranda explicou que, no final deste ano, a “Vissolela” poderá colher mais de 500 toneladas de milho, de um total de três mil previstas até 2020, uma estratégia para compensar o tempo que leva a produção do café. Até lá espera-se, também, a colheita de mil toneladas de soja e 400 de feijão. 
“A aposta em culturas rápidas serve para minimizar as dificuldades para suportar a cultura do café, que atinge o pico aos cinco anos”, explicou o gestor, apontando o cultivo de cem hectares de milho em pivots. 
“Esse ano, vamos semear em sequeiro 300 hectares e mais cem a partir de Outubro, pois a nossa meta é atingir, depois de Dezembro, 600 hectares em pivots”.
A produção de milho em larga escala na Quibala e a provável chegada de energia a partir da barragem de Laúca pode reduzir de 100 para 60 kwanzas o preço actual por quilo de milho, prognosticou Enio Miranda, indicando que a empresa prevê ainda a criação de duas mil cabeças de caprinos e ovinos até 2020, para carne e estrume.

Fonte: Jornal de Angola

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