ESCOLAS PRIVADAS ESTUDAM AUMENTO DO VALOR DA PROPINA.

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O clima de elevada instabilidade cambial e fiscal tem motivado o aumento de preços por parte dos prestadores de serviços ligados a educação, nomeadamente: escolas, vendedores de produtos (livros, carteiras, quadros) e alimentação.

Não obstante a inclusão do IVA e perda contínua do valor moeda, são esperados na atual conjuntura uma variação positiva do preço do combustível, energia elétrica, água, taxas ligadas a circulação, telefonia e descontos ligados ao trabalho.

A entrada de uma criança no sistema de ensino é uma de verdadeira angústia para os pais, em especial quando o sistema público é precário e está lotado, e a maioria dos descendentes daqueles que gerem a coisa pública, embora tenham pais maioritariamente educados na “escola do povo”, estão hoje alocados em instituições privadas estrangeiras, portanto, distanciados do modus vivendi e operandi o cidadão comum. Os momentos seguintes, com as mudanças de escola, não são melhores — e os progenitores sentem-se, a cada mudança de ciclo, como alunos numa aula de Física Quântica diante de uma equação impossível de resolver. A escola fica perto ou longe? É possível deixá-lo lá no caminho para o trabalho? É conceituada ou, como se passou a perguntar, está bem classificada nos rankings? E a alimentação? Tem atividades extracurriculares? As respostas ditam a escolha, mas tudo tem um preço. Às vezes evidente, outras nem por isso.

Uma das certezas é que a Educação, entendida em sentido lato, não tem merecido aposta significativa por parte do Estado, nem mesmo quando se apresentam orçamentos ditos sociais, devido a consignação da despesa, mas sempre distanciados e incapazes de dar resposta aos problemas da maioria da população.

Só em 2018, dois milhões de crianças ficaram fora do sistema de ensino.

Diz a Constituição que compete ao Estado assegurar o ensino básico universal, obrigatório e gratuito, devendo ainda estabelecer progressivamente a gratuitidade de todos os graus de ensino.

Mas entre o princípio constitucional e a prática há uma fatura considerável que acaba por ser suportada pelas famílias — e que se torna progressivamente mais pesada à medida que se acrescentam os manuais e o material escolar, o futebol ou a música, a procura da melhor escola. Para muitos pais, a solução passa pelo ensino privado.
Com que custo? O Cidadela recolheu os valores fixados pelos dez colégios mais caros no ranking nacional de 2018.

As contas variam muito de colégio para colégio, e as mensalidades destes dez rondam, em média, os 323 mil kwanzas. Mas há outras instituições de ensino privado de menor dimensão e que cobram menos.

Escolas privadas estudam aumento na ordem dos 22%.

Consultados os montantes exigidos pelas dez escolas mais caras de Angola, as famílias chegam a pagar, por cada filho matriculado, um mínimo de AKZ. 161,500 e um máximo de AKZ. 900 mil.

Com a subida de impostos e transferência para o preço cobrado ao consumidor, o valor passa para um mínimo de AKZ 196,300 e um máximo de AKZ. 1,098,000.

O montante médio exigido, tendo em conta as dez escolas mais caras do país, passa de 323 mil kwanzas para 394 mil kwanzas, demonstrando um incremento de 71 mil kwanzas.

Uma vez que, em média, cada família angolana é constituída por 5 filhos, os pais que vivem nestas condições terão de preparar-se para dispenderem em média mais AKZ. 355 mil por mês, embora a mais cara passe a custar mais AKZ. 990 mil por mês e a menos onerosa, 174 mil kwanzas em igual período temporal.

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