MOODY´S: Agência atira acionista do BFA para o lixo.

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A Moody’s cortou em dois níveis o rating da qualidade da dívida do BPI, que passou de Baa2 para Ba1 – o que corresponde ao primeiro grau da categoria de investimento especulativo, o chamado “lixo”.

Em contrapartida, melhorou a perspetiva (outlook) para a evolução da dívida do banco liderado por Pablo Forero, de ‘negativa’ para ‘estável’.

O BPI, detido pelo espanhol CaixaBank, já reagiu em comunicado divulgado junto da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

“Em março de 2019 entrou em vigor um novo quadro regulamentar em Portugal que estendeu a preferência creditícia a todos os depósitos bancários relativamente à dívida sénior ordinária (senior unsecured), reforçando assim a proteção dos depósitos num cenário de resolução. Na sequência daquelas alterações regulamentares, a agência de rating Moody’s reafirmou a classificação de investimento Baa1 [três níveis acima de ‘lixo’] dos depósitos de longo prazo do Banco BPI, com outlook ‘estável’”, começa por sublinhar o documento do banco.

Os depósitos de clientes representam a principal fonte de financiamento do BPI, fonte que recentemente foi complementada com a emissão de obrigações hipotecarias que têm uma notação de Aa3 [a três níveis da melhor classificação da escala, o triplo A], acrescenta o mesmo documento.

Agora, “a Moody’s reduziu o rating do emissor e da dívida sénior ordinária de longo prazo do banco, de Baa2 para Ba1, com outlook “estável”, uma vez que a extensão da preferência creditícia a todos os depósitos reflete-se numa redução do volume de instrumentos suscetíveis de absorver perdas ao nível da dívida sénior ordinária (senior unsecured) em caso de resolução, refere o banco para justificar esta decisão da agência de rating.

O montante de dívida sénior ordinária do BPI era de apenas 12 milhões de euros a 31 de março, explica o comunicado.

A Moody’s destaca, no seu relatório, a melhoria da rentabilidade do BPI, os adequados níveis de capital e de liquidez, bem como os indicadores de qualidade de risco de crédito, que comparam favoravelmente com o setor em Portugal.

Assim, foi no âmbito do novo quadro regulamentar em Portugal – com impacto no rating desses títulos – que a agência cortou a notação da dívida de longo prazo do BPI.

Banco detém participação no BFA

O CaixaBank, dono de 95% do Banco BPI, considerou em 2018 que estavam a ser dados passos “na direcção adequada” em Angola, que poderiam beneficiar o Banco de Fomento Angola (BFA), de que o banco português detém 48%. Contudo, esta participação na instituição angolana continua a ser para reduzir.

“Vemos Angola a tomar uma série de medidas de política económica que vão na direcção adequada”, disse Gonzalo Gortázar, presidente executivo do CaixaBank, em resposta a perguntas dos jornalistas na conferência de imprensa, que se realizou em Londres, no ano transacto, aos 27 de Novembro.

Gortázar, citando a peça do Jornal de Negócios, acreditava que o BFA poderia beneficiar com a onda “no curto e médio prazo”.  

Mesmo assim, no plano estratégico para 2019-2021, o BFA foi excluído, não havendo indicações de objectivos para o banco, nem em relação a dividendos a receber durante o período.

A diminuição do peso do BPI no BFA é para se concretizar, como está já delineado desde a aquisição do controlo do banco português, no início do ano passado.

“Uma participação de 48% é elevada. Vamos esperar pelo momento para fazê-lo, não temos limitações e o que queremos é continuar a apoiar o BFA e Angola nesse processo, e mantermos uma estreita relação com Angola, através do BPI e manter um nível de participação não tão elevado”, indicou Gortázar.

Fonte: Jornal de Negócios

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