O Governo da República de Angola decidiu dar novo enquadramento ao activo existente no Fundo Soberano de Angola, nomeadamente:

Fazendas

Projecto agroindustrial para cultivo de arroz do Manquete.

O programa está a ser explorado numa área de 2000 hectares, dos quais 1500 hectares são para o cultivo e 500 hectares de construção de infra-estruturas e reservas naturais.

Orçado em 81 milhões, 439 mil e 31 dólares (um dólar equivale a 100 kwanzas) a produção do arroz será realizada em sistema de irrigado, fruto das irregularidades das chuvas e prevê colher um máximo de nove mil toneladas.


O projecto conta com uma unidade de processamento de arroz, silos de armazenamento, indústria para descasque, limpeza, branqueamento de embalagem e equipamentos, estradas internas, eletricidade, água e comunicação.

O complexo agro-industrial abarca ainda infra-estruturas de apoio como residências escritórios, fábricas, oficinas, entre outras áreas.

Fazenda Agro-industrial de Camacupa

Foi uma iniciativa implementada numa área de cinco mil hectares cuja capacidade de produção são 20 toneladas de milho e duas toneladas de soja/ano.

A fazenda conta com uma unidade fabril para a transformação de farinha de milho e soja.

O complexo agro-industrial tem ainda uma escola e uma unidade sanitária para apoiar e assistir as famílias dos trabalhadores da fábrica e outros populares que eventualmente possam residir nas áreas adjacentes.   

Terão sido investidos 88 milhões de dólares norte americanos (sendo que na altura um dólar equivalia a 90 Kz).

Breve historial

Angola viu o seu potencial agrícola, muito produtivo, aniquilado por 27 anos de guerra civil. O relançamento da agricultura, que começa exactamente em 2002, teve como primeira etapa a remoção de minas antipessoais e outros engenhos explosivos dispersos pelo país, em número que a comunidade internacional chegou a comparar com o da população do país.  
O que se seguiu foi a recuperação e criação de infra-estruturas de apoio à produção, e neste caso em particular destacam-se os perímetros irrigados, criados no âmbito do Plano Nacional Director de Irrigação (Planirriga), que alargou as áreas de cultivo a terrenos nunca antes explorados.   
Em 2005, o Governo criou o  Modelo de Gestão dos Perímetros Irrigados e a Sociedade de Desenvolvimento dos Perímetros Irrigados (SDPI) para gerir e supervisionar o património do Estado nesses locais.
Dos sete milhões e quinhentos mil hectares com elevado potencial de irrigação previstos no Planirriga, apenas foram aproveitados 30 mil hectares, onde estão inseridos, entre outros, o Projecto Integrado de Desenvolvimento Agrícola da Quiminha, os perímetros de  Caxito (Bengo), Matala (Huíla), Cavaco (Benguela), Mucoso (Cuanza Norte), Quiminha (Luanda) e Sumbe (Cuanza Sul).
Desses projectos, salvo raras excepções, os relatos que se fazem hoje não são nada animadores. Na maior parte dos casos, fala-se em falhas clamorosas nos modelos de gestão, que resultaram em falência.
Os pólos agro-industriais foram desenvolvidos sem prejuízo para a agricultura familiar, que, de acordo com o Ministério da Agricultura, ainda responde por 90 por cento da produção interna. 
Agora que a crise começa a emitir sinais de abrandamento, impõe-se um esforço conjunto para salvar os investimentos públicos com potencial de reduzir, se não mesmo retirar o país da dependência externa.

Fonte: JA, Valor Economico, Angop, Novo Jornal