SONANGOL: BNY Mellon reforça na Galp e fica com participação qualificada.

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O The Bank of New York Mellon (BNY Mellon) passou a deter uma participação qualificada na Galp Energia, revelou a petrolífera em comunicado enviado ao final da tarde desta quarta-feira, 26 de junho, à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Na nota enviada ao regulador dos mercados, a Galp nota que na passada terça-feira o BNY Mellon reforçou em 0,08% a posição na cotada portuguesa, passando assim dos 1,93% anteriormente detidos para 2,01%.

Ao superar a fasquia dos 2% passa a ter uma participação qualificada, o que significa que a operação tem de ser comunicada à CMVM.

O BNY Mellon junta-se à Amorim Energia (33,34%), à Parpública (7,48%), ao BlackRock (4,998%) e ao T. Rowe Price Group (2,10%) como uma das entidades detentoras de participação qualificada na cotada liderada por Carlos Gomes da Silva.

A Galp fechou a sessão bolsista desta quarta-feira a somar 2,39% para 13,495 euros por ação, enquanto o BNY Mellon segue a negociar em Wall Street com uma desvalorização de 1,06% para 42,97 dólares por ação – Jornal de Negócios

SONANGOL detém participação

A Sonangol detém uma participação indireta na Galp através da Amorim Energia (55% da Esperaza Holding), que garantem uma posição de 33,34% na petrolífera portuguesa, avaliada em 945 milhões de euros.

SONANGOL resolveu ficar

A Sonangol procurou negociar a venda da participação na Galp entre 2017 e 2018. Esta notícia foi avançada em agosto pelo Jornal de Negócios que enquadrava a operação no quadro da reestruturação da petrolífera angolana onde se aponta para o foco nos negócios e no mercado angolano. A informação foi desmentida uns dias depois por uma fonte não identificada da Sonangol ao Expresso. Mas o tema voltou à agenda com a visita de João Lourenço a Portugal em novembro.

O presidente angolano deu uma entrevista ao Expresso em que afastava a possibilidade de a Sonangol reforçar a sua posição na Galp, por exemplo, comprando a participação de Isabel dos Santos. João Lourenço até sinalizou que a tendência seria a contrária: a empresa deverá retirar-se de grande parte dos negócios e participações que não têm muito a ver com o seu core-business. Ainda que este não seja o caso da Galp no setor, reconheceu o presidente angolano, o investimento indireto da Sonangol não deixa de ser uma “dispersão”.

As palavras de João Lourenço foram recebidas como uma mensagem de que a Sonangol estava de facto de saída das duas empresas portuguesas ontem tem posições relevantes: a Galp e o BCP. O presidente angolano fez questão de esclarecer o sentido das suas palavras numa conferência de imprensa já em Lisboa. Mas só foi claro em relação ao BCP,onde afastou um cenário de venda no curto e médio prazo.

Não confirmou a saída da Galp, mas também não a anunciou. A cautela de João Lourenço tem várias explicações. Revelar a intenção de vender uma participação, ainda que indireta, numa empresa cotada em bolsa com a visibilidade da Galp Energia, teria um efeito contraproducente, sobretudo quando ainda não existe um comprador. Podia criar uma pressão no preço que não interessa a nenhum vendedor.

Por outro lado, o investimento da Sonangol na Galp não é direto, está preso numa cascata  financeira e empresarial que envolve outros parceiros, um dos quais é Isabel dos Santos, com quem a atual liderança de Angola e da petrolífera estatal tem estado em conflito aberto. A Sonangol e Isabel dos Santos são os dois acionistas de uma holding, a Esperaza, onde a petrolífera angolana é maioritária. Esta empresa é acionista da Amorim Energia, com 45%, que por sua vez, é a maior acionista da Galp com 33,34%.

Encontrar um comprador para a Esperaza não é a mesma coisa que vender uma posição na Galp, que em termos diretos representará cerca de 15% do capital. É mais difícil e terá menos interessados.  A Sonangol teria provavelmente de assumir primeiro toda a Esperaza antes de vender.

O comprador estaria a entrar na Amorim Energia, uma holding que é controlada pelos herdeiros de Américo Amorim, a mulher e as três filhas. E ainda que a Sonangol tenha o direito a escolher um membro para a comissão executiva e outro não executivo, a  petrolífera angolana não tem grande margem de intervenção na Galp. Razão porque no passado quis transformar o seu investimento numa participação direta, pretensão que Américo Amorim conseguiu afastar.

Seria necessário rever o acordo parassocial da Amorim Energia que, na sua atual configuração, dá quase todo o poder ao acionista que tem 55%, o que não permite valorizar a participação minoritária do ponto de vista estratégico. E como um mero investimento financeiro, a participação na Amorim Energia não interessa, porque não há facilidade em sair, ou seja, não é fácil vender.

Ainda que seja apenas cenário, a saída da Sonangol da Galp tem potencial para mexer com o equilíbrio de poderes que mantém o controlo português de uma das maiores empresas industriais. Isto num quadro em que os herdeiros de Amorim dificilmente teriam a disponibilidade, ou até a vontade, de apostar todo o seu património em manter ou reforçar a sua posição acionista na Galp.

Por outro lado, o perfil do comprador será sem dúvida uma peça chave neste xadrez. Até agora só um nome foi lançado publicamente. E e é mais um grupo chinês detido pelo Estado. Na primeira linha do interesse da Sinopec na Galp não estará propriamente a holding em Portugal, mas sim a Petrogal Brasil, a empresa que explora o petróleo e o gás do pré-sal brasileiro, e onde a petrolífera chinesa já tem 30% do capital. Se entrar no capital da Galp, a Sinopec passa a estar também do lado dos 70% que controlam o negócio mais apetecido da petrolífera portuguesa.

Poderia haver um problema. Com este negócio, o Estado chinês conseguiria o pleno no que toca ao domínio das três grandes empresas de energia portuguesas e dos três mercados: eletricidade, gás natural e petróleo. Mas se nos dois primeiros, a regulação europeia pode travar alguns negócios, o petróleo é um setor totalmente liberalizado – Observador.

Fonte: Jornal de Negócios, DN, Lusa, Observador

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