PETRÓLEO: OPEP prolonga cortes de produção de petróleo por nove meses.

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Já era dado como certo que os países produtores de petróleo tinham um acordo fechada para prolongar os cortes de produção da matéria-prima. Faltava conhecer o período, que sabe-se agora foi fixado em nove meses.

De acordo com delegados presentes na reunião que decorre em Viena, os membos da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) chegaram esta segunda-feira a acordo para manter as quotas de produção vigentes por mais nove meses.

Vingou assim a recomendação do Comité Ministerial Conjunto de Acompanhamento (JMMC), que recomendava o prolongamento dos cortes até ao final do primeiro trimestre de 2020.

Segundo tinha já dito o ministro da Energia da Arábia Saudita, a maioria dos membros do cartel era favorável a uma extensão por nove meses, embora vários países, como o Irão e a Argélia, fossem mais favoráveis a um prolongamento de apenas seis meses.

O corte de produção que foi firmado em novembro de 2016 e que vigora desde janeiro de 2017 determinou a redução de 1,2 milhões de barris por dia, sendo 800 mil da responsabilidade da OPEP e os restantes 400 mil dos países aliados, como a Rússia.

O acordo fechado nesta que é a 176.ª conferência da OPEP está a provocar uma forte subida das cotações do petróleo, que atingiram máximos de cinco semanas. O WTI em Nova Iorque soma 2,07% para 59,68 dólares e o Brent em Londres valoriza 1,96% para 66,01 dólares.

Esta reunião da OPEP que decorre em Viena prossegue amanhã, embora as grandes decisões já estejam tomadas e anunciadas. Na terça-feira juntam-se grandes produtores de fora do cartel, com destaque para a Rússia, para a sexta reunião ministerial do chamado grupo OPEP+. 

Os membros que não pertencem à OPEP vão ratificar este acordo amanhã. Depois de um encontro com Mohammed bin Salman, o príncipe herdeiro saudita, Vladimir Putin deu este fim de semana como garantido o prolongamento dos cortes de produção.


Cortes suficientes?

A ideia, com a prossecução deste acordo, é tentar manter os preços do petróleo em níveis sustentados, numa altura em que outros produtores – como os EUA – colocam mais crude no mercado. Mas bastará? Vai depender do facto de esta redução da oferta conseguir ou não compensar o “ouro negro” que escoa nos mercados por outras vias.

Ao Negócios, Bill O’Grady, diretor de estratégia de mercados da gestora de investimentos norte-americana Confluence Investment Management, considera que o grupo OPEP+ deverá, certamente, tentar compensar o aumento constante das exportações norte-americanas de crude, decidindo-se por uma nova extensão do acordo. Mas com um custo: a perda de quota de mercado.

“Por enquanto, os sauditas têm aceitado bem isso. Mas esse não era o caso há poucos anos. O comportamento passado da Arábia Saudita, e da OPEP no seu conjunto, tendia a ser o de monitorar as quotas de mercado em mercados específicos. Até à última década, sempre que a quota saudita do mercado importador norte-americano se fixava abaixo do segundo lugar, Riade aumentava a produção e fazia cair os preços para recuperar quota de mercado”, sublinha. No entanto, Bill O’Grady considera que os EUA já não são um mercado-chave. “Provavelmente é a China”, sustenta. “E uma vez que as exportações petrolíferas do Irão colapsaram, a Arábia Saudita estará provavelmente mais inclinada a defender os preços em vez de defender quota de mercado”, remata.

Mas, uma vez mais, também o presidente norte-americano tem aqui um papel relevante. Com efeito, a produção de crude do Irão e da Venezuela, que estão sob sanções dos EUA, caiu conjuntamente mais do que as dos outros membros da OPEP no âmbito do acordo de corte da oferta. O que sugere que as políticas de Trump têm maior impacto na produção petrolífera do que a própria OPEP, salienta a Bloomberg.

Fonte: Jornal de Negócios

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