Depois de ter sido eliminada na fase de grupos da Taça das Nações Africanas (CAN) 2019, a seleção angolana foi alvo de inúmeras críticas, nomeadamente por parte da imprensa local. “Sempre a fingir que jogam, enquanto a Federação faz de conta que honra os compromissos”, escreveu ontem o ‘Jornal de Angola’, numa referência à falta de pagamento dos prémios de jogo relativos à fase de qualificação. A derrota (0-1) com o Mali foi difícil de digerir e a publicação recorda os desentendimentos registados no decorrer da prova. “Veio ao de cima o clima pesado instalado há uma semana no balneário que foi mal dissimulado pela direção encabeçada por Artur Almeida e Silva que, no calor de uma discussão, antes do jogo com a Mauritânia, chegou a apontar a porta de saída ao selecionador”, pode ler-se. Srdan Vasiljevic, técnico sérvio dos Palancas Negras, retirou importância ao facto de o seu contrato terminar em dezembro e também deixou o alerta. “Há necessidade de uma análise muito mais profunda sobre o desenvolvimento do futebol angolano”, sublinhou o treinador, que ainda pediu desculpas ao povo angolano, após a eliminação precoce da presente edição da CAN.

Mas não foram poucos os sinais de alerta. Ocorreram mais de 3 ameças de greve, foram denunciadas a falta de quartos de hotel para os jogadores e por último, o escandaloso incumprimento de um jogo de preparação contra a África do Sul.

A sorte angolana estava traçada antes do primeiro apito, pois perante uma anatomia tão trágica, nem o maior dos milagreiros conseguiria colocar o país na segunda fase.

Madagáscar com apoio extra e Federação competente.

Andry Rajoelina, presidente de Madagáscar, anunciou que vai fretar um avião de 480 lugares para levar os adeptos ao encontro dos ‘oitavos’ com a República Democrática do Congo. “A decisão foi tomada após ouvir os adeptos”, referiu Rakotomanga, diretor de comunicação da presidência à agência ‘France Presse’. O Estado oferece viagem, bilhete para o jogo e refeições, sendo que vai gastar 530 euros com cada pessoa.

Para além disso, aquela seleção tem contado com a excelente gestão organizativa da sua federação, deixando assim os jogadores livres para apenas pensarem no encontro.

Angola é assim vítima da tentativa de sobreposição do talento perante a indisciplina de pensamento e desorganização administrativa. Por sua vez, o Madagáscar apostou numa gestão organizativa exemplar e no exercício contínuo de modo a que a constante prática se fizesse sentir no terreno.

Fonte: Record.