O dia a seguir “day after” à eliminação dos Palancas Negras, frente às Águias do Mali, face à derrota (0-1), na conclusão do Grupo E, foi de lamentos e acusações. Nas conversas, à mesa do pequeno-almoço e no hall do hotel, questionou-se a falha da estratégia virada para a vitória, porque o empate apurava os dois países para os oitavos-de-final, enquanto outros defendiam que o ambiente criado à volta da Selecção Nacional, antes do jogo com a Mauritânia, fez ruir o que restava da estrutura do grupo.
Criticou-se o facto da delegação angolana ter ficado transformada num conjunto de ilhas, com os jogadores e treinadores separados dos dirigentes, que por sua vez desconfiavam dos jornalistas, ao ponto de ter havido a acusação de se ter inventado a notícia da paralisação dos trabalhos após a segunda jornada, caso continuasse por esclarecer o pagamento do prémio de apuramento dado pela Confederação Africana.
Recordou-se a discussão acalorada do líder máximo da FAF, Artur Almeida e Silva, com o seleccionador nacional, o sérvio Srdjan Vasiljevic, que obrigou à intervenção do presidente honorário Armando Machado, para serenar os ânimos. O Jornal de Angola apurou na altura que o treinador foi convidado, pelo dirigente, a abandonar o comando dos Palancas Negras, ainda com a prova a decorrer, se quisesse.
Contrariamente aos outros dias, em que foram sempre juntos para o restaurante, ontem o cenário foi diferente. Os jogadores apareceram em grupos de dois/três, à vez, sendo que vários preferiram ficar nos quartos, a preparar as malas para a viagem.
Totalista nos três jogos, Bruno Gaspar, suspenso por acumulação de cartões amarelos, caso Angola continuasse em prova, foi dos atletas que manifestou o desagrado pelo clima conturbado vivido ao serviço da equipa nacional. Educado e sempre elevado na abordagem, o lateral direito do Sporting de Portugal disse que muita coisa tem de ser repensada, de modo que não garante estar de volta tão cedo. “Sou um dos que verá se vale a pena continuar”.

Saída de Vasiljevic
Visto no hotel somente na manhã do dia do jogo, Vasiljevic ficou na recepção à conversa com alguns dos seus assistentes, um deles o experiente Miroslav Maksimovic. Despediu-se dos jornalistas, que estavam de partida ao Cairo, a quem agradeceu o apoio no comando da Selecção.
Algo resignado, o treinador reiterou a mensagem em tom de fim de missão, deixada na conferência de imprensa, depois do desaire que custou a eliminação. Porém, ficou pelo politicamente correcto da véspera: “Agora vou para Belgrado. Não acredito que seja do interesse da Federação continuar, se levarmos em conta as peripécias vividas, a partir do estágio em Portugal”.
O técnico recordou a dificuldade manifestada pelos dirigentes em honrar os compromissos assumidos. “Trabalhámos com inverdades e promessas não cumpridas. Os jogadores estão a regressar para os seus clubes, o acordo feito, antes de chegarmos ao Egipto, não se concretizou”.
O próximo compromisso dos Palancas Negras está marcado para o dia 26 de Julho, diante da selecção de eSwatini, em Luanda, referente à primeira “mão” da corrida ao CHAN. O segundo jogo acontece a 2 de Agosto, em Mbabane. A campanha rumo ao Mundial do Qatar’2022, um dos objectivos traçados pelo treinador, arranca em Setembro.

Fonte: Jornal de Angola