Pinda Simão, que fez estas declarações na abertura da campanha da colheita de café, que decorreu na fazenda Paulo Mutange, aldeia do Quikasi, Regedoria do Caondo, Município de Mucaba, considerou a ambição como “linha de força” que deve motivar os camponeses a apostarem na fileira do café, com o aumento dos níveis de produção, que considerou estarem ainda distantes das potencialidades da província.
“O Instituto Nacional do Café indica que só produzimos seis mil toneladas por ano, mas que há indicações da subida das colheitas”, referiu o governante, para quem tal “não passa de simples ambição, mas devem ser criadas as condições necessárias para que haja produção em quantidade e qualidade”. 
Depois de reconhecer que o mercado internacional do café é cada vez mais exigente, Pinda Simão apontou, como saída, a aposta na melhoria da qualidade para tornar o café nacional competitivo. “Precisamos de café que ultrapasse as fronteiras, como forma de diversificar a economia nacional e permitir à entrada de divisas no país”, acentuou.
O governador destacou o nível da produção cafeícola do município de Mucaba, que com três mil toneladas por época é responsável por quase metade de toda a colheita da província do Uíge, no que foi secundado pelo director do Instituto Nacional de Café, Fernando Pereira, que disse ter tomado “boa nota” do empenho dos agricultores, apesar das inúmeras dificuldades. A administradora de Mucaba, Maria Cavungo, revelou que 1.436 cafeicultores registados no município exploram uma área de dezanove mil e cento e quarenta e três hectares, com uma colheita global de cerca de três mil toneladas por época.

Aposta na exportação

Recentemente, o Jornal de Angola deu destaque a um projecto privado que está a ser desenvolvido no município da Quibala, província do Cuanza-Sul, para o cultivo de mil hectares de café, destinado especialmente à exportação onde já foram investidos cerca de oito milhões de kwanzas. O projecto começou há dois anos e até final do ano prevê colher as primeiras quatro mil toneladas de café por hectare. O projecto contempla ainda a montagem de unidades de descasque e é visto com potencial para ser replicado noutras regiões, para permitir mais opções aos compradores e industriais.
“Para a exportação do café ‘dar certo’, tem de haver mais fazendeiros, pois os mil hectares não representam nada. Os compradores têm de levar de Angola navios cheios de café”, sublinhou na altura o gestor do projecto, Énio Miranda, indicando que para o país estar entre os cinco primeiros produtores a nível mundial teria de trabalhar em 70 mil hectares.

Potencialidades agrícolas

O docente universitário Koque Barros, da Faculdade de Agronomia da Universidade Kimpa Vita destacou, durante um “Fórum de oportunidades de negócios e investimento no Uíge”, as condições climatéricas e solos aráveis, favoráveis ao cultivo de diferentes produtos na província do Uíge durante todo o ano, indicando que a região recebe uma carga anual de precipitações atmosféricas que rondam um milhão e duzentos e cinquenta mil e quinhentos metros cúbicos. “É das províncias de Angola onde mais chove”.
Koque Barros, realizou um trabalho de pesquisa em nove dos dezasseis municípios do Uíge.

Fonte: Jornal de Angola.