VISÃO: “As cooperativas em Angola estão votadas ao abandono”.

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Fernando Pacheco, falando a OPAÍS, explicou que, há muito tempo que o Governo angolano passa ao lado de questões como a da atenção e apoio às cooperativas existentes no país, sobretudo àquelas que actuam nas comunidades rurais. Falando por ocasião do Dia Internacional das Cooperativas, que se assinalou este Sábado, o especialista em desenvolvimento comunitário, atribuiu a este cenário aquilo que a chamou de “maldição do socialismo”. Para ele, as cooperativas, enquanto forma organizativa intermédia, serviriam para responder aos grandes desafios que enfrentamos, sobretudo no plano económico e social, pois entende que elas congregam e mobilizam pessoas, permitindo alcançar o sistema de escala.

Reconhecendo as dificuldades que o país enfrenta em matéria de gestão de programas de grande escala, acrescentou que os posicionamentos políticos de projectos “megalómanos” não passam de uma utopia, por não primarem pelo cooperativismo e lhes faltar consistência. “As cooperativas poderão potenciar as iniciativas individuais, por um lado, e, por outro, congregar a escala destas iniciativas”, referiu Pacheco, tomando como exemplo países capitalistas, designadamente a Suécia , Itália, França e até os próprios Estados Unidos de América, onde as cooperativas são tidas como forma organizativa mais importante nos diferentes sectores.

Sobre a Lei das Cooperativas aprovada muito recentemente pelo Executivo, o também co-fundador da organização Acçao de Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA), disse pecar pelo atraso, a não valorização e aplicabilidade. “Fala-se muito de empreendorismo e não de cooperativas. Na ADRA tínhamos várias cooperativas que funcionavam e outras não, tendo em conta o contexto e as limitações. Mas nunca nenhum governante visitou estas cooperativas e se reuniu com elas para perceber o seu objecto”, lamentou.

Falta de financiamento

Dados disponíveis atestam que o fraco financiamento por parte de instituições privadas ou estatais nacionais é um dos maiores handicaps que as cooperativas agrícolas apresentam. Entretanto, na visão de Fernando Pacheco, este assunto não representa o maior problema, se forem considerados aspectos organizacionais, de legalização e a qualificação dos quadros. “Antes do crédito, temos que pensar na gestão e organização. Os bancos comerciais queixam-se muito de que não existem bons projectos. Mas eles só podem existir com quadros capacitados e organização ao nível das cooperativas como uma visão empresarial.

Autarquias e as cooperativas

No âmbito do processo de desconcentração administrativa e autonomia local, bem como das autarquias locais, Fernando Pacheco entende que os municípios terão mais vida se a política assentar na potencialização dos produtores através das cooperativas. “Com as autarquias, os municípios terão desenvolvimento se tiverem economia local, mas, para tal, é preciso mais do que vontade, é mister ter cooperativas locais de pessoas que vivam nestes municípios”, concluiu.

O Dia Internacional das Cooperativas

Comemora-se anualmente no primeiro Sábado de Julho, como foi decretado pela ONU em 1992 na resolução 47/90. Os objectivos do Dia Internacional das Cooperativas passam por divulgar o trabalho das cooperativas, por destacar as metas do movimento cooperativo internacional, em paralelismo com as metas da ONU, e por fortalecer as parcerias entre este movimento e outros agentes, como governos (locais nacionais ou internacionais).

Fonte: O País.

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