Fundação Calouste Gulbenkian anunciou esta segunda-feira a venda da petrolífera Partex à PTT Exploration and Production (PTTEP), empresa pública tailandesa de exploração e produção de petróleo, cumprindo assim o prazo anunciado pelo presidente executivo da empresa, António Costa Silva, de encontrar um comprador até ao final do primeiro semestre do ano.

Isto depois de em abril terem fracassado as negociações com o grupo chinês CEFC, anunciado em janeiro de 2018 como o provável novo dono da Partex, num negócio que poderia ascender a 500 milhões de euros. Este ano, Costa Silva garantiu existirem “mais de três interessados” na empresa, mantendo a intenção de avançar com a operação.

Agora, em comunicado, a Gulbenkian revelou que a operação terá um valor de 622 milhões de dólares (554,5 milhões de euros), “sujeita aos ajustes habituais nestas transações. O acordo seguirá agora o habitual processo de autorizações, que deverá estar concluído até final do ano. O acordo foi assinado pela presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Isabel Mota, e pelo presidente e CEO da empresa, Phongsthorn Thavisin”.

De acordo com o comunicado, a tailandesa PTTEP pretende utilizar a Partex como uma plataforma de crescimento, alargando as relações que a empresa hoje detém nos países em que opera. “A PTTEP compromete-se a manter a gestão e restantes colaboradores da empresa, bem como o escritório em Lisboa segundo os termos acordados para a transação. A PTTEP compromete-se ainda a manter a marca Partex”. A PTTEP é uma empresa pública, cotada na Bolsa da Tailândia, que integra os índices Dow Jones Sustainability. A operar desde 1985, tem 46 projetos petrolíferos em 12 países espalhados pelo mundo.

Em 2018, o Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian decidiu unanimemente desinvestir na área do petróleo e gás, acompanhando, aliás, o movimento internacional seguido por outras fundações. “Esta transação marca uma reconfiguração da base de ativos da Fundação que é investido com o objetivo principal de obter um rendimento atrativo a longo prazo. A recomposição reforçará a diversidade dos seus investimentos e impacto social, em linha com a natureza filantrópica das suas atividades”, disse no mesmo comunicado Isabel Mota, presidente do Conselho de Administração da Fundação.

Já António Costa e Silva, CEO da Partex, referiu que a empresa “tem uma história de mais de 80 anos, é detida pela Fundação há 60 e nesse sentido este é um momento significativo que consagra uma mudança de ciclo. Estamos orgulhosos do passado, mas agora estamos com os olhos postos no futuro. Vamos trabalhar com o novo acionista com a mesma dedicação, lealdade e entusiasmo, para responder a todos os desafios e participar na transição energética contando sempre com a ajuda inestimável da nossa equipa”.

Nesta operação, a Fundação teve como consultores a Jefferies International Limited, a Linklaters e a Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados.

A Fundação Gulbenkian anunciou querer sair do negócio da exploração de petróleo, com ativos avaliados em cerca de 457 milhões de euros em 2017 (uma desvalorização de 38,4 milhões de euros face a 2016 – 495,5 milhões de euros), para ser mais sustentável. A Partex representava em 2017 cerca de 18% dos ativos da Gulbenkian.

“Costumo dizer que a Partex é uma noiva apetecível e este processo tem confirmado isso. Os potenciais compradores são companhias internacionais muito reputadas. A seleção do candidato final vai ser muito importante. Isso tem que obedecer a múltiplos critérios, e um deles é aceitação pelas autoridades das geografias onde operamos”, disse o gestor em entrevista ao Jornal Económico. A entrega de propostas para a Partex decorreu até final do mês de março.

A Partex foi fundada em 1938 por Calouste Gulbenkian e detém participações minoritárias em projetos de gás em Abu Dhabi e no Omã; tem posições no campo petrolífero de Dunga, no Cazaquistão, no bloco 17/06 em Angola e nas bacias de Potiguar e Sergipe-Alagoas, no Brasil.

Em 2018, a Partex terá registado receitas de 423 milhões de dólares (374,9 milhões de euros), segundo António Costa Silva. Em abril de 2018, a Fundação Calouste Gulbenkian decidiu pôr termo à negociação que decorria com ao grupo chinês CEFC para a venda da Partex, por considerar que não existiam condições para continuar negociações, mas não desistiu da alienação da petrolífera.

Já antes, a Fundação liderada por Isabel Mota tinha anunciado a intenção de alienar os investimentos nos combustíveis fósseis, tendo “em conta uma nova matriz energética e os seus objetivos em prol da sustentabilidade, na linha do movimento internacional seguido por outras fundações”.