“Estamos em testes para começarmos a produzir com sementes de milho híbrido”, declarou Victor Azevedo, indicando que, com esse processo, obtém-se por cada hectare entre 12 e 16 toneladas, muito acima das cinco a seis toneladas com a polinização aberta.

Victor Azevedo explicou que a aposta na produção de milho híbrido vai tornar o preço do milho da polinização mais barato ao camponês, pois tem a vantagem de produzir para ele e ficar com semente para a época agrícola a seguir.
Em 450 hectares, essa unidade agrícola concentra ac-tualmente a sua actividade na produção de milho, sobretudo, mas também na soja e feijão, o que visa corresponder a um contrato com o Governo, para a fazenda atingir mil toneladas de semente para a população, sublinhou o gerente.
A Kanbomdo, como constatou o Jornal de Angola possui um parque industrial “bastante desenvolvido, com silos para armazenamento de cerca de quatro mil toneladas de milho em grão, fábricas de ração animal, fuba e máquinas a soja. 
Victor Azevedo adiantou que já foram produzidas mais de duas mil toneladas de mi-lho e 30 de feijão, mas as cifras devem ser superadas. “A perspectiva para este ano é muito maior por termos duas culturas por ano: a primeira em Setembro, em que cultivamos com a ajuda da chuva, e outra em Janeiro, que é de sequeiro, a mais produtiva”, afirmou o gerente. 
Indicou que estão a ser trabalhados cerca de 430 hectares em pivots duas vezes por época, para no sequeiro chegar-se aos mil hectares de terreno para soja e, sobretudo, milho, que passa por um processamento para ser limpo, tratado, pintado, ensacado e, depois, armazenado em duas câmaras frigoríficas. 
“Temos duas câmaras frigoríficas, uma das quais deve ter presentemente para acima de 500 toneladas”, explicou Victor Azevedo, acrescentando que o processamento dos produtos no complexo industrial da Fazenda Kanbomdo é permanente.

A vez do café
Paralelamente à produção de cereais, a Fazenda Kanbomdo está a fazer algumas experiências para aumentar a quantidade de café, estando nesta altura com uma área de 30 hectares que produzem num sistema gota a gota, algo semelhante ao que foi feito num campo de soja preparado para disponibilizar sementes para a época do sequeiro.
“Nesse campo já não conseguimos plantar porque tivemos pouca chuva em Janeiro, mas é uma garantia real de que haverá semente para a fazenda”, disse Victor Azevedo, ao mesmo que mostrava um pivôt central para 50 hectares, onde está ser aplicado adubo.
Destacou, entre as principais dificuldades da unidade agrícola, a falta de divisas para aquisição de peças sobressalentes para os equipamentos industriais e a baixa disponibilidade de gasóleo para o consumo da unidade, factos que impediram que 100 hectares de milho atacados por uma praga e pela seca fossem irrigados. “Queríamos regá-los, mas não tínhamos gasóleo”, lembrou, indicando que a Fazenda Kanbombo consome acima de 70 mil litros por mês.

Fonte: Jornal de Angola.