No comunicado final da cimeira quadripartida solicitada pelo chefe de Estado angolano, João Lourenço, em que participaram também os homólogos congolense, Félix Tshisekedi, ruandês, Paul Kagamé, e ugandês, Yoweri Museveni, que decorreu hoje na capital de Angola, os chefes de Estado concordaram que a resolução de qualquer conflito deve ser feita por meios pacíficos, “através dos canais convencionais e no espírito de irmandade e solidariedade africanas”.

Os líderes defenderam ainda que é preciso interligar o diálogo para a paz à integração económica e, nesse sentido, deram especial atenção aos conflitos fronteiriços entre o Ruanda e Uganda, e também entre os três países, com a inclusão da RDCongo, e destacaram a “vontade política” das partes em prosseguir o diálogo para que se encontre uma solução para os problemas existentes.

Na cimeira, Angola foi incumbida de facilitar o processo, com o apoio da RDCongo, cujo Presidente, em março deste ano, se tinha disponibilizado para mediar o conflito, o que levou à reunião de 31 de maio, em Kinshasa, então sem o Uganda, país que foi agora convidado por João Lourenço para estar presente na cimeira.

“[Os quatro países vão] continuar a dedicar uma atenção particular à criação de um ambiente propício para o fomento da cooperação entre os seus respetivos países em domínios de interesse comum, incluindo o político e económico”, lê-se na declaração.

Preocupação e condenação comuns é a persistência de grupos armados no leste da RDCongo, que afeta também as fronteiras com Ruanda e Uganda, razão pela qual a cimeira saudou os esforços do Governo congolês na pacificação de todo o país.

“A persistência de grupos armados no leste do país obstaculiza o processo de paz em curso e destabilizam os países vizinhos” da RDCongo, assumem os quatro chefes de Estado, que realçaram também o problema do surto de Ébola em território congolês e manifestaram disponibilidade para ajudarem a conter o surto.

O último balanço do surto do Ébola na RDCongo, datado de 08 deste mês, indica que desde o início da epidemia foram registados 2.428 casos, dos quais 2.334 confirmados em laboratório e 94 prováveis. No total, registaram-se 1.641 mortes.

A RDCongo já foi atingida nove vezes pelo Ébola, depois da primeira manifestação do vírus no país africano, em 1976.

Em Luanda, hoje, os quatro Presidentes concordaram em prosseguir com as consultas sobre questões de interesse comum, mas não adiantaram se vão ser realizadas novas cimeiras.

Segundo o comunicado final, os chefes de Estado saudaram os resultados alcançados na 12.ª Cimeira Extraordinária de chefes de Estado e de Governo da União Africana (UA), realizada em 07 deste mês, em Niamey (Níger), dedicada exclusivamente ao lançamento da parte operacional da Zona de Livre-Comércio Continental Africana, “que abre novas perspetivas para a integração económica do continente”.

Fonte: RTP