CUNENE: Aviário de Oipembe procura satisfazer a procura interna.

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“Esse aviário tem já reunidas as condições técnicas, incluindo um equipamento moderno, para este ano subir a sua produção diária de 23 mil para 50 mil ovos”, de acordo detalhou o seu proprietário, em entrevista exclusiva à Angop.

“O grande inconveniente em tudo isso são as divisas (dólares norte-americanos e euros). Os bancos comerciais nunca os têm e a via tem sido o mercado informal. E é muito difícil trabalhar nesses moldes”, disse.

De acordo com o empresário, o Banco Nacional de Angola (BNA) deve “rever” as suas políticas de venda de divisas, a fim de criar “facilidades” para as cadeias produtivas de bens e serviços, que têm importar alguns meios de apoio, como, no caso, equipamentos e galinhas poedeiras.

O empresário referiu que, no arranque do seu empreendimento, a produção chegou a ser comercializada na Huíla, Benguela, Huambo e Namibe, mas actualmente o Cunene tem absorvido toda produção diária.

Hermenegildo Leite orgulha-se de ter concretizado o investimento que se propôs fazer beneficiando de financiamento de um milhão e 500 mil dólares norte-americanos, canalizado pela linha de crédito da Angola Investe.

O valor inicial foi desvalorizado em 30 por cento (cerca de 300 mil dólares), quando chegou o momento dos pagamentos no exterior dos equipamentos e matéria-prima.

“Isso forçou-nos a realizar alguns arranjos para a abertura do aviário, mas, com força de vontade e o desejo de contribuir para o desenvolvimento do Cunene, foi possível concretizar esse projecto, que hoje já é uma realidade na vida dos cunenenses”, referiu.

Num outro ângulo, disse ser complicado o processo de aquisição de ração para as galinhas, pois a sua empresa tem estado a recorrer à Namibia porque tem-se deparado com muitos problemas com a ração produzida em Angola, nomeadamente em Luanda e Benguela.

“O preço é elevado e, no nosso entender, não tem qualidade”, disse, justificando a opção pela vizinha República da Namíbia, apesar das dificuldades na obtenção das divisas necessárias para a aquisição das cerca de 45 toneladas por mês de ração e um consumo diário de 55 sacos de 50 quilogramas, o que corresponde a uma tonelada e meia.

O produtor sugeriu a possibilidade de o Estado angolano incentivar mais e acompanhar o investimento privado, criando um fundo de apoio para o caso de o negócio estar a necessitar de reforço financeiro.

Sustentou essa sua consideração no facto de acreditar que “qualquer projecto concebido no nosso país tem uma série de dificuldades que, normalmente, não são previstas no estudo de viabilidade económica, como a desvalorização (da moeda) e outros pressupostos”.

Referiu que todos os problemas que afectam o negócio que dirige, tais como as elevadas taxas alfandegárias, levam a que não consiga ter um fundo próprio capaz de suportar uma importação de 30 ou 50 toneladas de ração, que chegaria pelo menos para um mês.

Hermenegildo Leite fala de “excesso de burocracias através do próprio Estado e dos bancos, o que tem estado a sufocar muitos projectos” e manifesta-se contra a entrada em vigor do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), por considerar inapropriado “aplicar mais uma taxa ao povo que mal sobrevive”.

O empresário, que é proprietário da Gilmor, Lda., emprega no aviário 29 trabalhadores, dos quais 20 técnicos envolvidos na retirada e tratamento dos ovos e os demais distribuídos pelas distintas áreas sociais e cozinha.

Localizado em Oipembe, a nove quilómetros de Ondjiva, o Complexo Avícola é o primeiro aviário no Cunene, no pós-independência de Angola.

Equipado com tecnologia de última geração, está implantado numa área de 70 hectares e contempla actualmente uma nave com 900 metros quadrados, que alberga 23 mil e 850 aves da espécie poedeiras, adquiridas na África do Sul.

Totalmente fechado com um sistema automático de regulação de temperatura húmida, iluminação, fornecimento de ração, recolha de ovos e estrume, o aviário funciona desde Dezembro de 2018.

A ideia do seu proprietário, que se formou em electrónica, na República de Cuba, passa por estabilizar a produção interna e, quem sabe, um dia começar a pensar na exportação.

Fonte: Angop.

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