Japão confiante, reconfirma investimento de 600 milhões de dólares no Namibe.

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O Embaixador  do Japão, Hiromi Sawada, afirmou que o seu país vai continuar a cooperar com o Governo angolano, mais concretamente, com as autoridades do Namibe, no que tange ao seguimento de um outro projecto de Desenvolvimento Integrado da Baia do Namibe, através da empresa Toyota Tsusho Corporation, avaliado em USD 600 milhões, obras que arrancam no mês de Setembro do ano em curso, tal como vai participar da empreitada da reabilitação do Porto Mineiro do Saco-mar nesta província.

O projecto aprovado em Janeiro de 2019 às entidades governamentais, empresários e  à sociedade civil, vai gerar mil e 500 novos postos de trabalho, num período de três anos, e será executado pelo consórcio Toyota Tsusho Corporation e pela empresa Japonesa “ TOA Corporation.

No acto de apresentação feito pelo Presidente do Conselho de Administração da Toyota Corporation em Angola, Nuno Borges, salientou que as obras iniciarão em Setembro deste ano, com a expansão do novo terminal de contentores do porto comercial, financiado em USD 400 milhões para a construção de 288 metros de cais, enquanto os outros 200 milhões de USD estão destinados à recuperação da ponte cais para a exploração de minério do Saco-mar, num período de execução de 32 meses.

Disse que o porto mineraleiro após a sua conclusão poderá exportar minério de ferro de Kassinga, província da Huíla, geração de receitas da exportação, promover emprego quer no porto assim como nas minas, e o desenvolvimento dos recursos minerais, sendo um dos planos mais importantes do governo angolano.

Nesta empreitada, vão ser executados, no porto mineiro do saco-mar, trabalhos marítimos, construção de nova ponte cais e suas infra-estruturas, área on shore e outros edifícios.

O PCA da Toyota esclareceu ainda que o terminal de contentores será considerado como um porto estratégico para o desenvolvimento da região sul do país (Namibe, Huila, Cunene e Cuando Cubango), onde serão desenvolvidos importantes projectos com destaque para os sectores da agricultura, agro-indústria, mineral, madeira, petróleo e turismo.

“ Este será um empreendimento de porta de saída para os países encravados como a Zâmbia, Botswana e parte da Namíbia”, realçou.

Acrescentou ainda que no futuro o Porto Comercial será uma infra-estrutura económica de transbordo para outros portos da região. “ Este projecto está destacado como  programa no âmbito da formação, modernização e revitalização do sector marítimo e portuário de Angola, do Ministério dos Transportes”.

Referiu ainda que o mesmo vai permitir a transferência para o Porto do Namibe de carga importada para Angola através do Porto de Walvis Bay (Namibia), reduzindo significativamente custos e tempo de importação, bem como gerar oferta de emprego por via da sua construção e futura operação do referido Porto.

O mesmo vai ainda contar com equipamentos de alta tecnologia japonesa, como grua para contentores, radar e sala de controlo, carros equipados com sistema de contra-incêndios, alfândega, ponte de pesagem, escritórios, equipamentos de inspecção raio x, entre outros.

Em declarações a Angop o Presidente do Conselho de Administração do Porto Comercial do Namibe, António Samuel, considerou o projecto, levado a cabo pelo Ministério dos Transportes, de bastante ambicioso e que dará um grande impacto no sector socioeconómico a nível do país e da região.

“ Nesta altura a nossa província estará em pé de igualdade e competira com outros portos de grande porte como o de Lobito e Luanda” disse.

Sublinhou que o figurino real da construção do novo terminal vai mudar o seu quadro do ponto de vista de mobilidade que possibilitará criar uma plataforma de uma logística giratória para a região.

A empresa japonesa “ TOA Corporation” é a que realizou a primeira fase das obras de reabilitação do Porto do Namibe 2009/2010. A mesma contínua com os trabalhos de execução da segunda fase que termina em Junho do corrente ano – projecto  financiado com ajuda do governo japonês.

O contrato assinado entre a empresa nipónica e o Banco do Japão para a Cooperação Internacional (JBIC, na sigla inglesa), prevê a atribuição de uma linha de crédito de 70 mil milhões de ienes (562,7 milhões de euros) necessários para o projeto portuário lançado pelo ministério dos Transportes de Angola.

O empréstimo para este projeto será segurado pela Nippon Export and Investment Insurance (NEXI).

O terminal de minérios de Saco-Mar foi construído em 1967 com o objetivo de exportar minério de ferro explorado nas minas de Cassinga, na província de Huila, tendo funcionado durante oito anos. Em 1973 alcançou o seu valor mais alto de exportações, com 6,2 milhões de toneladas.

Segundo o seu portal na internet, funciona atualmente como o principal terminal de combustíveis e lubrificantes da petrolífera estatal Sonangol na região sul do país e exporta, anualmente, 300.000 toneladas de derivados petrolíferos.

Este terminal é apoiado por uma linha férrea de 15 quilómetros que o liga à linha de caminhos de ferro de Moçâmedes.

O Japão volta assim a mostrar interesse no porto do Namibe, depois de anteriormente já ter contribuído, com fundos do Estado nipónico, para a sua reabilitação, em duas fases.

Na fase mais recente, em janeiro de 2016, o Executivo japonês doou cerca de 20 milhões de dólares (18,3 milhões de euros ao câmbio de então), continuando os esforços iniciados em 2007 e que permitiram financiar uma reabilitação de 875 metros de cais.

A Lusa noticiou na terça-feira, citando um despacho assinado pelo Presidente angolano, João Lourenço, a autorização de um contrato de empreitada para o projeto Integrado da Baía do Namibe com o consórcio Toyota Tsusho Corporation e TOA Corporation, no valor global de 600 milhões de dólares (525 milhões de euros).

“Havendo necessidade de se garantir a continuidade e concretização do programa do Governo, no que tange à diversificação das fontes de financiamento para execução de projetos inseridos no Programa de Investimento Público e de outros programas e projetos de interesse nacional enquadrados no Plano de Desenvolvimento Nacional 2018 — 2022”, justificava, então, o despacho.

Fundado em 1887, o grupo japonês Toyota Tsusho, conta com mais de 12.000 trabalhadores e está presente, em várias áreas de negócio, de acordo com informação disponibilizada pela própria empresa, em 39 países, nomeadamente 34 em África.

A província do Namibe assumiu-se, durante o período colonial português, como o principal porto pesqueiro em Angola — com base nas baías de Moçâmedes, a capital, e de Tômbwa – e é ocupado em grande parte do território pelo deserto, considerado o mais antigo do mundo.

Fonte: Angop e DN

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