SONANGOL: BCP cai para mínimos de dois anos após ciclo de quedas mais longo de sempre.

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As ações do BCP continuam em queda livre na bolsa portuguesa. Hoje desceram pela 11.ª sessão consecutiva, o que representa o período de quedas mais longo da história do banco em bolsa.

O Banco Comercial Português chegou hoje a desvalorizar mais de 3%, intensificando a tendência negativa que perdura desde a véspera da apresentação de resultados do primeiro semestre.

As 11 sessões seguidas em queda representam o ciclo negativo mais longo de sempre na história do banco, que é cotado desde 1993. De acordo com a pesquisa do Negócios na base de dados da Bloomberg, durante dois períodos (novembro de 2008 e setembro de 1999) o BCP caiu durante 10 sessões seguidas. Mas nunca tinha recuado durante 11 sessões como agora. Neste período, as ações acumulam já uma queda de 22,3%.

Hoje os títulos intensificaram as perdas após a abertura negativa de Wall Street, que está em forte queda devido à descida acentuada dos juros das obrigações a nível global e críticas violentas de Donald Trump à Reserva Federal.

As ações chegaram a recuar 3,43% para 0,2114 euros, o que representa um mínimo desde setembro de 2017, ou seja, quase dois anos. Apesar deste ciclo negativo, só hoje os títulos atingiram mínimos de mais de um ano. No fecho da sessão marcavam uma queda de 2,19% para 0,2141 euros.

O BCP está acompanhar, com maior intensidade, o mau momento do setor, sobretudo a nível europeu, devido à política de juros baixos do Banco Central Europeu, o que ameaça as margens do setor. O Stoxx Banks, índice que agrupa os maiores bancos europeus, desvaloriza 1,45% e negoceia em mínimos de julho de 2016.

O BCP regista a quarta maior queda do dia no setor, sendo que o alemão Commerzbank e o italiano Unicredit sofrem perdas acima de 5%, ambos a refletirem também os resultados apresentados esta manhã.  

Desde o início do ano o banco liderado por Miguel Maya já desvaloriza 7,6% e a capitalização bolsista situa-se nos 3,2 mil milhões de euros. Face ao máximo anual fixado em 17 de julho nos 0,2892 euros, o BCP acumula uma queda de 27%.

O BCP reportou, no dia 29 de julho, um aumento dos lucros de 150,6 milhões de euros para 169,8 milhões. Contudo, esta melhoria do resultado líquido e da qualidade de ativos (destacada pelos analistas) acabaram ofuscadas pelas perspetivas de evolução da margem financeira do banco, que apontam para uma deterioração.

E isto num contexto de taxas de juro baixas na Europa, com o BCE a implementar mais medidas de estímulos económicos, o que significa taxas negativas, o que terá impacto nas margens das instituições financeiras.

A Sonangol detém 15,24% do BCP, segundo as últimas informações públicas. Aos preços atuais, essa posição está avaliada em 800 milhões de euros. Mas têm surgido notícias de que terá aumentado a posição para perto de 20%. 

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