RAFAEL MARQUES APELA A MOBILIZAÇÃO DA SOCIEDADE EM TORNO DE JOÃO LOURENÇO POIS É “HONESTO, SÉRIO E QUER TRILHAR CAMINHO DE PROGRESSO E JUSTIÇA EM ANGOLA”.

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A opinião do activista angolano surge no artigo de opinião intitulado “João Lourenço acaba com Bairro dos Ministérios” presente no site MakaAngola, onde informa a sociedade do inequívoco cancelamento do projeto orçado em 3,6 mil milhões de dólares denominado Bairro dos Ministérios.
Rafael Marques explica que após recebimento de uma nota de agradecimento por parte do Chefe de Estado, por ter denunciado os gastos do Governo em torno do imobiliário nos últimos anos, notou que a “atitude frontal, honesta e determinada do Presidente demonstrará a seriedade do seu comprometimento com o caminho do progresso e da justiça em Angola“.

Na mesma nota, o activista afirma:
Quem pode garantir que não deixaria a vaidade sobrepor-se à realidade? Quem seria capaz de admitir a necessidade de corrigir uma decisão tomada publicamente com pompa e circunstância? Lembremo-nos do filósofo Diógenes de Sínope. Na antiga Atenas, Diógenes percorria as ruas de lanterna em punho anunciando que estava à procura de um homem honesto, tão raros já eles eram então.

João Lourenço tem a coragem e a força de responder ao repto de Diógenes. Pelas suas atitudes, demonstra paulatinamente a sua vontade em colocar Angola no caminho certo e a expor os obstáculos à sua volta.

O MPLA, o seu partido, está tomado pelo vício da corrupção, da pilhagem e do desgoverno. Crescem os actos de sabotagem da agenda presidencial, multiplicam-se as vozes que pretendem colocar o presidente no mesmo saco que os marimbondos arreigados à ideia e à prática de que o país continua a saque.

Colocar o país no caminho certo implica cometer erros e omissões. Faz parte. Todavia, o importante é corrigir rapidamente esses erros e omissões e assim reiterar que há apenas um caminho para Angola: o do Estado de justiça e de progresso.

Somos de opinião – e não nos cansaremos de a manifestar – que todo o cidadão, por mais corrupto ou por pior que tenha feito a Angola e aos angolanos, tem o direito e o dever de seguir o caminho do bem.

João Lourenço — independentemente do seu historial dentro do MPLA e sob o governo do seu antecessor — quer mudanças. Tem entrado em colisão com vários interesses nefários dos seus próprios colegas, para o bem da sociedade.

Activista alerta para o perigo do regresso dos marimbondos.

O activista angolano nas suas palavras reflecte em torno do “perigo do regresso, em força, dos marimbondos ao poder caso João Lourenço, com a sua abertura, falhe na missão de mudar o país. O MPLA é a mesma máquina de governo desde 1975.

Devemos incentivar João Lourenço a manter esta postura. A postura de diálogo, audição e decisão baseada num processo deliberativo alargado tenderá a pacificar uma sociedade causticada pela guerra e pelo autoritarismo saqueador.

Rafael Marques recorda sevícias sofridas por denunciar corrupção.

Recordo-me de como vivi anos sob uma vigilância privada e atroz, por parte de algumas figuras de topo do regime de José Eduardo dos Santos. Para o efeito, estes homens contrataram uma empresa estrangeira e tecnologia de ponta, instalada junto da residência onde vivo. Classificaram-me como inimigo do Estado e devassaram toda a minha intimidade com escutas, rastreios electrónicos e operativos de uma certa inteligência externa. Tudo isso porque eu revelava aos angolanos os seus podres. Recentemente, alguém próximo desse processo persecutório perguntou-me: “Como sobreviveste?

“Agora, em vez de ser perseguido, recebo dessa mesma alta entidade – a Presidência da República, desta vez com um novo inquilino – uma nota de agradecimento por expor a corrupção. Trata-se, na verdade, de uma nota de humildade de João Lourenço e de um convite para que os cidadãos se organizem e o ajudem a mudar Angola, independentemente do passado de cada um, da cor política e dos compromissos pessoais“.

Agradeço a todas as testemunhas anónimas que contribuem para enriquecer as investigações do Maka Angola, e agradeço também a todos os leitores que nos acompanham. Mas o agradecimento especial de hoje é para si, Sr. Presidente: obrigado por me ouvir.

Bem-haja!

O “bâton” da ditadura – Já lá vão 19 anos.

A postura assumida por Rafael Marques contrasta de forma absoluta com o que se verificou no ano 2000, com o anterior Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, onde escreveu um artigo intitulado “O “batôn da ditadura”, o que lhe valeu uma pena de prisão de seis meses.

O Cidadela passa a citar:

O Batôn da Ditadura
O regime está assustado. Os seus mentores, assim como o seu sustentáculo intelectual, já começam a agarrar-se à guerra com desespero. Já não conseguem disfarçar que, afinal, eles são os principais instigadores da guerra em Angola. Os principais causadores do efeito Savimbi. As eternas sanguessugas do poder.Para já, duas figuras se destacam na linha da frente da polícia do pensamento do regime. João Melo e o triste Costa Andrade, vulgo Ndunduma. Eles representam e encarnam todo o surto da maldade política do MPLA.Sem uma ideologia, obra política, social, económica e cultural a defender, os escribas de serviço da nomenklatura continuam a imaginar que ainda estão nos seus áureos tempos de perseguidores da mudança e da mentalidade independente. Continuam a imaginar que ainda têm todas as cartas na mão e que, de facto, podem jogá-las como bem entenderem. Assim como continuam a julgar que podem, efectivamente, forçar os filhos dos pobres e desgraçados a combater em defesa dos seus complexos e privados interesses.João Melo, nas suas “Multivisões”, considera oportunismo o facto de um grupo de cidadãos tentar criar uma corrente de solidariedade para a paz, de defesa dos interesses da nação e da vontade da maioria. Está tudo claro, esse senhor é o que se pode chamar de belicista cobarde. Quer a guerra, sim. Mas a que é feita entre os pés descalços e por si aplaudida. Doutro modo, ter-se-ia voluntariado a integrar o exército e a ir para as matas, onde, com todo o patriotismo, poderia, pelo menos, escrever as cartas dos soldados analfabetos que, humanos, e já sem reclamar salários, gostariam apenas de comunicar-se com os seus familiares.Por outro lado, esse mensageiro da morte em momento algum interveio na sensibilização da elite e do grupo minoritário a que pertence para o envio dos seus filhos para a tropa. Portanto, é mais do que evidente o papel de João Melo. Defender o poder pelo poder, a classe dominante, os seus bens, interesses e o resto que se lixe. Ou melhor, que seja lixado!Mas, como a perversidade também tem as suas universidades, João Melo consegue, com muita argúcia, transformar um argumento totalmente esfarrapado em verdade de seda. “É preciso destruir a máquina militarista de Savimbi.” Esse filho africano, tão inteligente quanto infestado de defeitos, só não é crucificado em praça pública porque não lhe conseguem deitar as mãos.Porquê? Porque o regime precisa de tapar o seu principal buraco. A sua maior fraqueza de governação. A responsabilidade de José Eduardo dos Santos na destruição do país e no descalabro das instituições do Estado. A responsabilidade do presidente do MPLA e da República na promoção da incompetência, do peculato e da corrupção como valores sociais e políticos.Nada melhor que elevar Savimbi à categoria de obsessão nacional para esconder José Eduardo dos Santos e tudo o que está por detrás dele. O mais discreto e astuto dos chefes dos regimes autoritários de que há memória em África. O exemplo mais alto do antipatriotismo em Angola. O modelo de liderança antipopular. Antipovo.A esse respeito, o notável escritor luso-angolano José Eduardo Agualusa é mais prático. “Sim, é preciso julgar Jonas Savimbi. Mas porquê apenas Savimbi? Não podendo julgar todos os criminosos de guerra, que se levem a tribunal pelo menos os chefes: Jonas Savimbi e José Eduardo dos Santos.”Mas, o povo angolano quer, acima de tudo, paz duradoira, justiça social e reconciliação nacional. Porque, de acordo com Martin Luther King, “nós jamais nos libertaremos dum inimigo respondendo ao ódio com ódio. Só nos libertaremos dum inimigo libertando-nos da inimizade. Por sua própria natureza, o ódio destrói e dilacera; por sua própria natureza, o amor cria e constrói. O amor constrói com o seu poder redentor”.Nem José Eduardo dos Santos, nem Savimbi, quanto mais os seus fantoches, têm esse amor. Daí que o povo tenha necessidade de se unir e pacificamente lutar contra a guerra e os seus promotores.É preciso cerrar fileiras contra o diversionismo de João Melo e Costa Andrade e a grande inimizade que estes nutrem pelo povo. Que o povo pergunte a esses senhores o que ambos já fizeram pelo seu bem-estar. Ambos são membros do Parlamento. Quantas vezes já defenderam os genuínos interesses do povo na Assembleia?Defender o MPLA não é defender o povo angolano. Há quem o faça fanaticamente, não para defender o povo, mas como única alternativa de buscar o “caminho marítimo para a Índia”.Os mesmos foram colocar-se no pedestal político da intelectualidade angolana. Quantas vezes já usaram o seu verbo para defender os valores da cultura nacional e as ricas tradições dos povos de Angola? Mais perguntas? Fácil é ser intelectual do MPLA, ou escriba em troca de privilégios, mas difícil é ser intelectual a favor da Nação.O programa do MPLA transformou-se no da UNITA e o da UNITA no do MPLA, pelo menos em tautologia. Ainda que na prática todos escrevem por cima da água.”O diálogo, por sua vez, ensina-nos a conhecer melhor os demais e a descobrir que também eles têm boas intenções, desejos de paz, de justiça e de amor. Pelo diálogo, degelam-se sentimentos de dureza e hostilidade, sintonizam-se as almas, encontram-se os homens a si mesmos e confiam uns nos outros”, ensinam-nos os bispos católicos na sua reflexão pastoral.A persistência na guerra pretende tão-somente esconder os podres do poder. Apagar da memória colectiva a necessidade de educação, de equilíbrio social, de desenvolvimento e prosperidade para o país. Outrossim, essa confusão permite a gestão do país sem qualquer tipo de contestação. Sobretudo em relação às matanças que minam a suposta “santidade” do regime.Veja-se, por exemplo, o caso de Thabo Mbeki, o actual Presidente da África do Sul. Já alguém teve coragem de expor as sevícias por que o homem passou na Estrada de Catete, quando lá foi detido em companhia de compatriotas seus, no ano de 1983? Já alguém teve a coragem de assumir que Thabo Mbeki foi forçado a assinar um documento em que tinha de assumir um inexistente atentado contra Oliver Tambo?Tudo porque em 1983, 70 estudantes universitários sul-africanos que se haviam juntado às causas do ANC foram fuzilados no município do Cacuso, Malanje, por se terem recusado a combater a UNITA. Segundo informações dignas de apreço, os mesmos contavam receber treino aqui para lutar contra o “apartheid” e não para se envolver numa guerrilha civil alheia.Consta que Thabo Mbeki juntou a sua voz à dos outros membros do ANC que repudiaram o acto. E, cadeia com eles!Nesse mesmo ano, 26 outros membros do ANC, de um grupo de 40 detidos na Estrada de Catete, foram fuzilados. As sobreviventes Grace e Kate ainda podem contar a história.Há muitos crimes por revelar e, graças a Deus, Thabo Mbeki sobreviveu para ser Presidente da África do Sul e estender a mão a José Eduardo dos Santos que, entretanto, a recusou.Haja seriedade!

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