ANGOLA: Obras no novo aeroporto de Luanda, o mais caro da história de África, retomam este ano. Empreitada já vai em mais de 7 mil milhões de dólares.

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A informação foi hoje avançada à imprensa pelo ministro dos Transportes, Ricardo D’Abreu, no final de uma visita efectuada por 30 deputados da 5ª Comissão da Assembleia Nacional, salientando que a retomada dos trabalhos está condicionada a negociações com um novo empreiteiro.

“(…..) Nós estamos nesta altura a terminar as negociações com o novo empreiteiro geral da obra (a AVIC, também da China), e pensamos que nos próximos 15 ou 30 dias vamos conclui-la. Com base nesta negociação, pensamos assinar uma adenda e definirmos o novo cronograma”, referiu.

Portanto, sustentou o governante, “as negociações com a nova construtora estatal chinesa estão bem avançadas, daí estarmos convencidos que ainda este ano será possível retomarmos as obras, que precisarão de pelo menos seis meses para atingirem a velocidade cruzeiro”.

Ricardo D’Abreu esclareceu que durante a paralisação da empreitada foram feitas correcções e alterações em deficiências de engenharia e operacionais, essencialmente na aerogare e nas pistas, e que para o prosseguimento está disponível uma linha de financiamento da china de USD 1,4 mil milhões.

Na ocasião, o ministro dos Transportes admitiu ter havido algumas falhas contratuais com o CIF, ao qual o Executivo Angolano já pagou 1,2 mil milhões de dólares norte-americanos, faltando liquidar uma dívida de USD 200 milhões aos subempreiteiros dessa firma.

Garantiu que o projecto será implementando na íntegra, em fases diferentes, e que estão reservados espaços para o investimento privado no polígono do próprio Aeroporto, cujas obras iniciaram em 2007, com um orçamento global inicial de cinco mil milhões de dólares.

Quanto às 250 famílias camponesas residentes na zona adjacente, explicou estarem devidamente catalogadas para serem realojadas, em breve, na comuna de Caculo Cahango, no município do Icolo e Bengo, num projecto habitacional em construção a propósito.

Impressão dos deputados

Em declarações à imprensa, a presidente da 5ª Comissão de Trabalho Especializada da Assembleia Nacional, Ruth Mendes, lamentou os dois anos de paralisação das obras, por entender que a infra-estrutura permitirá empregar muitos jovens e aumentar nas receitas do país.

“A primeira nota é que a visita foi muito positiva. Foi possível conhecermos alguns meandros do projecto, as mudanças necessárias e sua reestruturação, a rescisão do contrato inicial e entrada do novo empreiteiro para o relançamento das obras, como uma decisão salutar”, resumiu.  

Por sua vez, o deputado da coligação CASA-CE Manuel Fernandes disse esperar que a empreitada seja concluída de facto em 2022/2023 para que os angolanos possam usufruir deste aeroporto, que, em sua opinião, a nível da região Austral, só terá como concorrente a África do Sul.

“Valeu a pena termos constatado aquilo que já foi feito e o que está por se fazer. Concluída esta obra, que já consumiu muito dinheiro, é claro que vai contribuir imenso naquilo que são as receitas fiscais, numa altura em que o país precisa despetrolizar as receitas financeiras” – expressou.

Já o também membro da Comissão de Economia e Finanças, Nelito Ekuikui manifestou-se preocupado com os prazos efectivos quer para a retomada das obras quer para a sua conclusão, assim como com os avultados valores gastos até agora para o projecto continuar paralisado.

“As infra-estruturas são efectivamente grandiosas e de orgulhar. Mas estamos mais preocupados com a conclusão e a disponibilização de empregos para os jovens” – finalizou o deputado da UNITA, meio incrédulo com as garantias do ministro dos Transportes.

Características do Novo Aeroporto

Abreviadamente designado por NAIL, o novo Aeroporto Internacional de Luanda está a ser edificado desde 2007, numa área total de 430 mil metros quadrados, como parte da cidade aeroportuária da capital do país, denominada “Aerotropolis de Luanda”, na comuna do Bom Jesus.

O projecto contempla, entre outros empreendimentos e serviços, aerogares, hangares de manutenção de aeronaves, áreas de movimento e de controlo de tráfego, instalações de apoio, hotéis, restaurantes, complexo presidencial, protocolo do Estado, terminais e duas pistas duplas.

A principal está situada a norte, com 3.800 metros de comprimento e 60 de largura, com capacidade para receber aviões do tipo Boeing 747, enquanto a outra, a sul, com quatro mil metros de comprimento e 75 de largura, poderá receber o Airbus 380, maior aeronave de passageiros do mundo.

Segundo apurou a Angop, a pista norte está executada a 66 por cento, a pista sul a 56% e a placa central para o acesso das aeronaves ao terminal, 58 por cento.

No terminal principal estão concluídas as estruturas de betão armado e a metálica da cobertura, assim como a totalidade das fachadas.

O NAIL terá estradas exclusivas para serviços de táxi e uma via-férrea para o metro de superfície. Terá um movimento anual de até 15 milhões de passageiros contra os 3,6 milhões de passageiros/ano que o Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro movimenta.

O aeroporto mais caro da história de África, que de tanto ser novo, será inaugurado velho.

  • A factura do novo aeroporto internacional de Luanda, em construção nos arredores da capital, já ultrapassa os USD 6,3 mil milhões, em várias empreitadas adjudicadas a empresas chinesas.
  • A informação resulta de dados compilados com base nas adjudicações de empreitadas já realizadas, envolvendo a construção do novo aeroporto no município de Icolo e Bengo, a 30 quilómetros de Luanda, com conclusão outrora anunciada para Abril de 2017.
  • A edificação do aeroporto, em curso desde 2004, está a cargo da empresa China International Fund Limited (CIF), contratada pelo governo por USD 3,8 mil milhões.
  • Só para o equipamento de infraestrutura o Estado iria gastar mais USD 1,4 mil milhões, tendo contratado para o efeito a empresa China National Aero-Technology International Engineering Corporation.
  • O contrato para a construção da rede de estradas de acesso ao aeroporto, no valor de USD 695,1 milhões, tendo sido contratada para o efeito a China Tiesiju Civil Engineering Group (CTCE).
  • Em Dezembro de 2015 foi escolhido pelo governo o consórcio da China Hyway Group Limited para construir o acesso ferroviário ao aeroporto. Nesta empreitada, a construção e fornecimento de equipamentos para as cinco novas estações do Caminho de Ferro de Luanda (CFL) representa um investimento público de USD 255 milhões.
  • Somam-se a construção do respectivo ramal ferroviário desde a actual Estação de Baia do CFL ao novo aeroporto internacional de Luanda (num total de 15 quilómetros), por USD 162,4 milhões.
  • Segundo um despacho assinado pelo ex Presidente angolano, de 04 de agosto, foram gastos 100 milhões de euros via financiamento polaco, estando em causa a “necessidade” de “proceder ao acabamento e apetrechamento da secção protocolar do Terminal VIP, fabrico e fornecimento das infraestruturas externas e equipamentos”.
  • A Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola anunciou este ano a recuperação de 286,4 milhões de dólares, que se encontravam em posse do CIF-Angola, na qualidade de gestora do projeto de construção do novo aeroporto internacional.

Duas das pistas foram concluídas em 2015, assim como a torre de controlo, decorrendo a construção dos terminais, que segundo o governo deverão receber 15 milhões de passageiros por ano.

A sua entrada em serviço estava projectada até Junho de 2017, ano em que se realizaram em Angola as terceiras eleições gerais em período de paz. Contudo, os atrasos e erros na construção da obra em si e nos acessos rodoviários e ferroviários colocam em causa a concretização deste prazo.

Considerada a maior obra pública em Angola, foi avaliado em 2,8 mil milhões de euros em 2014, segundo o contrato entre Governo angolano e o fundo chinês (China International Fund Limited), publicado em Diário da República.

No despacho da altura era “autorizado” também o “ministro das Finanças a mobilizar” mais de 1560 milhões de dólares (1100 milhões de euros) da Reserva Financeira Estratégica Petrolífera para Infra-Estruturas de Base “para execução financeira do contrato em 2014“.



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