De Angola à Sibéria. O que arde no mundo além da Amazónia?

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Apesar dos olhos postos na floresta amazónica, Angola e a República Democrática do Congo lideram o número de fogos a nível mundial. Mas há mais regiões em alerta: Sibéria, Ilhas Canárias e Alasca, entre outras. A Organização Meteorológica Mundial fala em fogos “sem precedentes” no Círculo Polar Ártico: em seis semanas, foram mais de uma centena.

A Amazónia está a arder e, mesmo tendo acordado tarde para o assunto, o mundo não parece, para já, querer tirar os olhos da mancha de floresta que é extenso pasto para as chamas. As imagens da fúria devastadora do fogo e dos longos mantos de fumo são impressionantes, assim como as informações disponibilizadas pela NASA e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM). Mas, alargando o foco, rapidamente se percebe que há densas camadas do globo em situação semelhante ou pior.

Um exercício rápido: olhar para o mapa do Global Forest Watch Fires (GFWF), um sistema dinâmico de monitorização de fogos e alerta de incêndios com informação quase em tempo real. É certo que a área correspondente à Amazónia constitui uma mancha vermelha assinalável mas o centro e o sul do continente africano estão ainda mais carregados.

O satélite Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer, da NASA, confirma estes dados: em dois dias da última semana, os incêndios em Angola (6.902) eram mais do triplo dos incêndios no Brasil (2.127). A República Democrática do Congo (RDC) também registou um número mais elevado de fogos no mesmo período: 3.395. O ministro angolano da Comunicação Social, João Melo, já classificou a comparação como “um completo nonsense”, interrogando-se como se podem “comparar queimadas, tradicionais nesta região, com o incêndio da maior floresta do mundo”.

ANGOLA, RD CONGO E BRASIL NO TOPO DOS ALERTAS MUNDIAIS

Mas os números não mentem. Voltemos ao GFWF: no período compreendido entre 19 e 26 de agosto, Angola figurava no topo da tabela de alertas de fogo, com 135.195, a RDC vinha em segundo, com 104.243, e só depois o Brasil, com 88.135. Zâmbia, Rússia, Bolívia, Moçambique, Austrália, Tanzânia e Indonésia compunham o top 10 de alertas mundiais.

A análise por província dentro de cada país fornece informação mais detalhada. Assim, a liderar estão Katanga, na RDC, Santa Cruz, na Bolívia, e Moxico, em Angola. Seguem-se Bandundu (RDC), Cuando-Cubango (Angola), Mato Grosso (Brasil), Noroeste (Zâmbia), Pará (Brasil) e as províncias angolanas do Bié e Lunda Norte.

O FUMO DOS INCÊNDIOS NA SIBÉRIA CHEGOU AOS EUA.

A Sibéria também tem um registo devastador. Na semana passada, mais de 54 mil quilómetros quadrados de floresta tinham ardido só neste mês de agosto, aproximando a Rússia do seu pior ano no que diz respeito a incêndios florestais. O fumo produzido cobriu extensas partes do país, cruzando o Oceano Pacífico e chegando aos EUA.

A 12 de agosto, a OMM publicava um tweet em que mostrava a escala dos incêndios na Sibéria através de uma animação gráfica. A nuvem de fumo gerada cobria mais de 5 milhões de quilómetros quadrados. A agência meteorológica das Nações Unidas comparava aquela extensão com as áreas da União Europeia (cerca de 4,5 milhões de quilómetros quadrados) e dos EUA (cerca de 8,1 milhões de quilómetros quadrados).

No mês passado, a OMM já tinha alertado para os fogos “sem precedentes” no Ártico, dizendo que nas seis semanas anteriores havia sido registada mais de uma centena de incêndios no Círculo Polar Ártico. Só no mês de junho, aqueles fogos emitiram 50 megatoneladas de dióxido de carbono para a atmosfera, o equivalente às emissões totais da Suécia num ano.

OUTROS FOCOS: CANÁRIAS, ALASCA E GRONELÂNDIA.

Nas Ilhas Canárias, cerca de 9 mil pessoas foram obrigadas a fugir dos incêndios. Na Grã Canária, mais de 74 mil quilómetros quadrados foram reduzidos a cinzas nas encostas ocidentais.

Também na Grécia, na Bolívia e nos EUA, a situação é de alerta. Na semana passada, foi declarado o estado de emergência na ilha grega de Eubeia. Na Bolívia, já arderam mais de 1,6 milhões de hectares de floresta tropical. E no Alasca um incêndio destruiu mais de meia centena de casas e mais de 80 outros edifícios, enquanto um outro, que tinha começado em junho, reacendeu-se, consumindo cerca de 575 quilómetros quadrados.

Até a remota e gelada Gronelândia é notícia por causa dos incêndios. No início do mês, a Dinamarca enviou bombeiros para aquela região autónoma para combater os fogos que começaram em julho. Os cientistas alertam que o degelo na Gronelândia, já por si bastante rápido, pode piorar se os incêndios não forem extintos.

Fonte: Expresso.

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