Angola ganha terreno na venda de petróleo bruto à Portugal.

Posted by

Angola ganha terreno na venda de petróleo bruto à Portugal. A Rússia mantém-se como a principal fonte de abastecimento, estatuto ganho em 2017, mas está a perder terreno para o Azerbaijão e Luanda.

No ano passado, de acordo com os dados da factura energética de 2018, compilados pela Direcção-Geral de Energia e Geologia (actualizados em Agosto) da República Portuguesa, o país em questão importou 2.475.286 toneladas de petróleo à Rússia (menos 18% face ao ano anterior), o que correspondeu a uma quota de mercado de 19,6%. Em 2017, a quota da Rússia tinha sido de 22%. Em segundo lugar, na lista dos principais abastecedores à Portugal, ficou Angola, que já deteve a primazia no passado e que deu um novo salto em 2018, ao vender 2.015.112 toneladas, cabendo-lhe uma quota de 16% (depois de se ter quedado pelos 5% em 2017). Segue-se depois o Azerbaijão, país que, com as suas 1.668.641 toneladas de crude, assegurou o terceiro lugar no ranking, com uma quota de mercado de 13%.

(CLIQUE NO GRÁFICO)

Olhando para os dados do primeiro semestre disponibilizados pela DGEG, verifica-se que a quota de mercado da Rússia demonstrou um registo de 18% (correspondente a 1.007.997 toneladas), o Azerbaijão conquistou o segundo lugar com 15% e Angola alcançou os 14%. A quarta posição coube à Arábia Saudita, com 12%).

Ao todo, Portugal comprou petróleo bruto a 13 países no primeiro semestre, da Guiné Equatorial ao Iraque, passando pelo Brasil, Noruega e Reino Unido (estes dois últimos com pouca expressão, enquanto abastecedores). A principal responsável por este fluxo é a Galp Energia, empresa na qual a Sonangol detém uma participação indirecta, acima de mil milhões de euros, que compra o crude ao exterior para o transformar nas suas duas refinarias.

Nota: A Sonangol detém 15,24% do banco liderado por Nuno Amado, segundo as últimas informações públicas. Aos preços atuais, essa posição está avaliada em 680 milhões de euros. Mas têm surgido notícias de que terá aumentado a posição para perto de 20%. A petrolífera angolana controla ainda 55% da Esperanza Holding. Esta entidade detém 45% da Amorim Energia que, por sua vez, tem uma posição de 33,34% na Galp. A posição indireta da Sonangol vale 945 milhões de euros.

Angola em grandes dificuldades desde 2014/15.
Em Angola, o segundo maior produtor de petróleo africano – onde a presença chinesa tem sido importante – o Governo reconheceu ter perdido uma receita de 5,1 mil milhões de euros em 2015 devido à queda do preço do petróleo, e ter sido obrigado a uma desvalorização da moeda de 32% face ao dólar norte-americano. Os efeitos fizeram-se sentir de múltiplas formas, desde logo,  os médicos cubanos que formam a “coluna vertebral do sistema de saúde” não receberam o salário durante meses”, escreveu na revista Foreign Affairs o professor de Política Africana da Universidade de Oxford, Ricardo Soares de Oliveira.

Na altura, Luanda eliminou os subsídios ao combustível, o que fez com que o preço da gasolina aumentasse 39% no início do ano (para 1,19 euros por litro) e o gasóleo 80% (cerca de 1 euro). “O resultado é que a insatisfação de muitos angolanos tornou-se visível.

Em 2016, a maioria do petróleo bruto que Portugal importava vinha de África (55,5%), segundo revelou a DGEG, e Angola apresentava-se como o principal mercado de origem das importações portuguesas (26,1% em 2014),  tendo aí se iniciado a descendência do seu peso (menos 31,3% face a 2013), enquanto outros protagonistas assumiram destaque, nomeadamente, duas nações asiáticas, que não fazem parte da OPEP, o chamado cartel dos produtores e exportadores de petróleo.  Ainda sem a Líbia no mercado, na altura devastada pela Primavera Árabe, o Azerbeijão e Cazaquistão forneceram um quinto do petróleo bruto que Portugal importou em 2014. O Azerbeijão foi responsável por 9,2% do fornecimento, cabendo ao Cazaquistão uma fatia de 9,7%.

Ainda assim, o preço médio de importação de cada tonelada de crude destes dois países (773 dólares e 821 dólares, respectivamente) superou o preço médio do petróleo oriundo de Angola (694 dólares). O preço médio por tonelada pago pelo crude do Azerbeijão foi o mais elevado em 2014, enquanto o mais barato proveio do Iraque (596 dólares).

Os outros principais fornecedores portugueses em 2014 foram a Arábia Saudita (líder da OPEP e apontada como estando na origem da guerra de preços com os EUA, que fez afundar a cotação internacional do crude), com 12,6% das importações nacionais, a Argélia (9,9%) e a Nigéria (9,1%). De África chegaram 6,1 milhões de toneladas de petróleo bruto e, da Ásia, 4,1 milhões de toneladas. Ao continente americano importaram-se 703 mil toneladas e as importações europeias totalizaram 82 mil toneladas.

(CLIQUE NO GRÁFICO)

O movimento junto da Rússia, que começou no ano passado, colocou um ponto final a um ciclo iniciado em 2011, e que deu então a Angola a primazia no abastecimento a Portugal (em 2013, antes de descida de preço do petróleo, Portugal comprou 4351 milhões de euros de hidrocarbonetos a Angola). Antes disso, era a Nigéria quem vendia mais petróleo a Portugal, conforme atestam os dados da Direcção Geral de Energia e Geologia.

Foi, aliás, Angola quem mais sofreu com o posicionamento russo no mercado luso. Nos primeiros cincos meses do ano de 2016, as importações de bens angolanos (onde o petróleo representa quase 100%) foram de 64 milhões de euros, valor que representa uma quebra de 75% em termos homólogos.

Fonte: Público, Cidadela.

Leave a Reply

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.