CHINA: Política de descarbonização energética vai prejudicar Angola.

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A Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) alertou hoje que Angola, devido à mudança na política energética da China, deverá ver as receitas petrolíferas reduzidas, o que vai prejudicar o desenvolvimento económico.

“O cenário mais provável é que Angola será forçada a acumular parte das suas reservas petrolíferas, implicando uma redução no envelope financeiro geral, e se for este o caso, isso vai dificultar o desenvolvimento socioeconómico de Angola”, escrevem os peritos da UNCTAD no relatório de 2019 sobre Matérias-Primas e Desenvolvimento, na parte que analisa a relação entre a China e Angola.

“A adaptação às medidas tomadas por terceiros e por outras economias deverá ter um impacto negativo para os países em desenvolvimento dependentes de matérias-primas, especialmente devido à esperada redução na procura global por matérias-primas à base de hidrocarbonetos”, escrevem os analistas, lembrando especificamente o caso de Angola, cujas exportações de petróleo para a China representaram 47% do total em 2017.

A conclusão, dizem, é que alguns destes países “podem ficar pior, do ponto de vista económico, com a implementação do Acordo de Paris”, nomeadamente Angola, porque “a China, o maior importador de matérias-primas, prometeu aumentar a percentagem de energias não fósseis no seu consumo primário de energia”.

O resultado, salientam, é que “os exportadores de produtos energéticos tradicionais para a China podem perder uma parte importante dos seus mercados, e Angola será fortemente atingida com a implementação da política chinesa de descarbonização”.

No relatório de 89 páginas, os peritos da UNCTAD explicam que o impacto da política energética chinesa em Angola dependerá de três fatores: dimensão da redução das importações de petróleo, capacidade de Angola encontrar outro cliente e também a capacidade de o país africano encontrar outra fonte de receita a curto e médio prazo.

Sendo o primeiro fator impossível de determinar, os autores salientam que é “duvidoso que Angola consiga encontrar outro mercado para escoar a produção petrolífera” porque todos os grandes importadores estão a implementar medidas de descarbonização das economias e concluem que “substituir exportações petrolíferas por produtos não poluentes não é uma opção provável a curto e médio prazo”, já que “transformar um país numa economia mais diversificada requer investimentos em massa em capital físico e humano”.

Fonte: RTP.

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