PRESIDENTE DO MPLA: “Não são estrangeiros que querem desestabilizar o nosso país, são angolanos, aparentemente do MPLA”, não exemplares e avarentos.

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O líder do MPLA falava na abertura do VIII Congresso Ordinário da JMPLA, organização juvenil do partido que sustenta o Governo.

João Loureço, igualmente Presidente da República, entende que os jovens devem guiar-se por partidos e pela sociedade civil que estão de boa fé nos seus propósitos, aceitem dar a cara e não têm nada a esconder nem a temer.

Indicou que a JMPLA deve ser a porta-voz das principais preocupações e aspirações dos jovens angolanos, no geral, junto do Executivo, assim como levar para eles as posições correctas sobre os fenómenos que acontecem na sociedade.

Segundo João Lourenço, o MPLA deposita uma forte esperança e confiança na sua organização juvenil, a julgar pelo rico potencial que representa.

Lembrou que o VII Congresso Extraordinário do MPLA, realizado em 2018, apostou seriamente na promoção da mulher e dos jovens, tendo logrado que 61 por cento dos membros eleitos ao comité central, principal órgão deliberativo do partido, sejam jovens.

“Os jovens mais atentos que fazem a leitura dos sinais dos tempos sabem o que isso representa. Essa injecção é uma representação clara na sua aposta de quem se espera uma outra postura, uma outra forma de estar e de ser, necessárias para os desafios de desenvolvimento do país”, observou.

Notou que a posição do MPLA com relação ao género e aos jovens tem o seu reflexo na actual composição do Executivo e de outras instituições do Estado.

Exemplificou o caso de ter sido nomeada e empossada, na quarta-feira, a primeira jovem mulher ministra das Finanças da história de Angola, Vera Daves.

Para o líder do MPLA, a força de uma nação reside na força da sua juventude, daquilo que ela for capaz de fazer e realizar em prol da nação.

Para que isso seja possível, disse, não obstante as liberdades e garantias dos cidadãos, asseguradas na Constituição e na Lei, os jovens devem se deixar guiar de forma consciente por partidos políticos e da sociedade civil que sejam idóneos e responsáveis.

Indicou que a nova direcção que sair deste congresso terá muitos desafios, que passam por contribuir na materialização do programa do seu partido sufragado nas eleições gerais de 2017.

 Disse ser necessário resolver os problemas da juventude por via da implementação das políticas púbicas e na busca de outras sinergias “que a JMPLA deve saber mobilizar usando o talento, a criatividade e o sentido de inovação”.

A “tolerância zero” não foi esquecida

Na sua intervenção, após ter declarado aberto o Congresso, João Lourenço lembrou que “o partido chegou à conclusão que o nosso País estava empestado por uma grande doença que era necessário curar”, referindo-se à corrupção.

“Houve a promessa e oportunidades destintas, de se iniciar com essa cruzada”, disse, admitindo que faltou o passo decisivo no combate à corrupção.

Lembrou que foi declarada “tolerância zero à corrupção” mas, continuou, o que se verificou “foi que essa tolerância zero não surgiu”.

“Deram-nos esse incumbência e nós, como não gostamos de fingir que fizemos as coisas, não gostamos de enganar o eleitorado, não gostamos porque consideramos errado, injusto utilizar os eleitores só para votarem em nós, vamos cumprir essa incumbência”, sublinhou.

“Nós estamos procurar cumprir com essa incumbência”, reafirmou, dizendo de seguida que “a luta está aí, para quem quer ver, como é evidente, a natureza é assim, onde há acção há reacção”, apontando para aquilo que chama o financiamento de protestos com “dinheiro desviado do Estado”.

Deixando claro que não foi apanhado de surpresa: “Nós esperávamos essa reacção, naturalmente, e a reacção está aí”.

“Os mesmos que estavam embrulhados na corrupção, os mesmos que desviaram os recursos do País, para fora do País, apenas para eles, são os que estão a utilizar esses mesmos recursos para financiarem a companha de desestabilização”.

“Corruptos” e “avarentos”

“Eu levanto essa questão aqui porque são os jovens que estão a ser pagos para fazer esta campanha. Esses jovens são exemplares? Nós pensamos que não. E penso que estão a fazer esta campanha por 100 euros, nem isso, porque aqueles avarentos não lhe vão pagar muito mais”, afirmou.

“Eu queria sair desta sala com uma posição muito clara dos jovens. Vamos continuar com esta luta? Vamos continuar com firmeza, sem hesitação?”, perguntou.

A resposta chegou em coro, efusiva.

“Então parece que saio daqui com o mandato da juventude para continuar a luta contra a corrupção. Vamos cumprir a vossa ordem”, afirmou, já ao som de “Lourenço, amigo, os jovens estão contigo”.

“Nós vamos continuar porque reconhecemos que os índices de desemprego são altos e precisamos de trabalhar para dar emprego a todos os angolanos, e à juventude em particular.

Mas só há emprego se houver investimento e para isso é preciso combater a corrupção, pois os investidores já não aceitam investir se por detrás do pano tiverem de dar 20 ou 30 mil ao funcionário do balcão”, reforçou o Chefe de Estado.

E, mesmo antes de deixar o palco do VIII congresso ordinário em que a JMPLA vai debater o futuro da organização, nomeadamente os candidatos ao cargo de primeiro secretário nacional do organismo juvenil do partido no poder, João Lourenço rematou o discurso:”Saímos daqui mais reconfortados, mais convencidos de que a vitória é certa. Também a vitória contra a corrupção é certa”.

Participam no Congresso, que decorre de 10 a 12 deste mês, no Centro de Conferência de Belas, 2. 295 delegados que deverão eleger o novo líder da organização.

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