Manifestação “bate na rocha”: Angolanos vão para a rua indiferentes ao apelo de “amigo anónimo” para ficar em casa.

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Apelo para que os angolanos ficassem em casa como forma de protesto contra a situação económica do país foi pouco visível na rotina matinal de Luanda. Em Lisboa, junto ao Consulado de Angola também a presença de manifestantes foi residual.

Esta amanhã a azáfama matinal na capital de Angola não fugiu à rotina, evidenciado a pouca adesão dos angolanos ao protesto convocado, nos últimos dias, por um grupo de artistas que pedia à população para não sair de casa durante o dia de hoje, como forma de se manifestarem contra a atual situação económica no país.

“Talvez o trânsito hoje esteja um pouco mais fácil que o habitual, mas sem grande evidência que possa ser resultado da adesão ao protesto”, constatou uma fonte contactada pelo Plataforma.

“Sei que algumas pessoas evitaram levar os filhos à escola e optaram por não sair de casa, mas mais por receio de que se registassem alguns conflitos nas ruas”, vincou uma outra fonte residente em Luanda.

Mas as preocupações do executivo fizeram-se sentir de véspera.

Primeiro, com um discurso duro do Presidente da República, na abertura do congresso da JMPLA (órgão juvenil do MPLA), com João Lourenço, a acusar supostos militantes do MPLA de usarem dinheiros públicos desviados para pagar uma campanha contra Angola.

Depois, num programa informativo especial na televisão estatal, a TPA, sobre o tema “Liberdade de manifestação vs. Estabilidade Social onde os quatro participantes (um representante do Ministério do Interior, um pastor, em empreendedor e um sociólogo) apresentaram as suas razões para que os angolanos não se juntassem ao movimento.

No programa, Valdemar José, avisou para as consequências das manifestações previstas para os próximos dias, algumas das quais pretendem chegar aos órgãos de soberania, o que é proibido pela lei angolana e considerou que alguns destes protestos são “para provocar”.

O porta-voz do ministério do Interior admitiu que “há problemas sociais, mas salientou que o executivo angolano “está a trabalhar para ultrapassá-los” e questionou “que benefícios” trazem movimentos como o apelo a ficar em casa para o país.

À Lusa, Valdemar José disse que a polícia está a acompanhar os protestos agendados para vários dias do mês de outubro:

No dia 14, uma concentração do cemitério da Santana ao Largo 1.º de maio que pretende chegar até ao ministério do Comércio, contestando a subida dos preços.

No dia 15, uma manifestação de “ativistas de um movimento revolucionário” que quer ir até à Assembleia Nacional e uma outra de antigos trabalhadores da República Democrática Alemã, que pretende chegar ao Palácio da Justiça.

No dia 19, um outro grupo promete protestar contra o aumento dos produtos da “cesta básica” frente à Assembleia Nacional.

No dia 26, um outro movimento, que reclama a libertação de José Julino Kalupeteca, líder da seita “A Luz do Mundo”, condenado a 28 anos de prisão pelo homicídio de nove agentes da Polícia Nacional, marcou um protesto em frente ao Palácio da Justiça.

Entretanto, em Lisboa, junto ao Consulado de Angola, local para onde os ativistas estenderam o protesto apenas era visível a presença de pouco mais de uma dezena de pessoas, lideradas pelo músico Puto Prata.

Font: Pltf

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