ANGOLA VÍTIMA DE UMA HERANÇA CHAMADA DÍVIDA E SEM MARGEM EM RELAÇÃO A MOEDA: Desvalorização do kwanza pode atirar rácio da dívida pública para 105% do PIB.

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O analista da consultora Capital Economics que segue a economia de Angola disse hoje à Lusa que a acentuada desvalorização do kwanza nos últimos dias deverá elevar o rácio da dívida pública para 105% do produto interno bruto (PIB).

O analista da consultora Capital Economics que segue a economia de Angola disse hoje à Lusa que a acentuada desvalorização do kwanza nos últimos dias deverá elevar o rácio da dívida pública para 105% do produto interno bruto (PIB).

“Isto vai aumentar o custo em moeda local da dívida pública de Angola”, disse John Ashbourne, comentando à Lusa a forte desvalorização do kwanza nos últimos dias, que só na sexta-feira perdeu 16% do seu valor.

O analista acrescentou que a consultora estima “o rádio da dívida pública sobre o PIB deverá subir para cerca de 105%, o que vai atrair mais atenção para a questão da sustentabilidade da dívida de Angola”.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) actualizou, na semana passada, as estimativas para os principais indicadores macroeconómicos de Angola, antecipando que a dívida pública deve ficar nos 95% este ano e depois descer para 90% em 2020.

De acordo com o anexo estatístico do ‘Fiscal Monitor’, divulgado em Washington no âmbito dos Encontros Anuais do FMI e do Banco Mundial, Angola deverá ver o rácio de dívida pública subir de 89%, no ano passado, para 95% este ano.

Nos anos seguintes, o país deverá conseguir inverter a tendência de subida da dívida pública que deverá depois descer para 90% em 2020, e para 84,2% em 2021, continuando a cair progressivamente para chegar aos 68,3% em 2024, o último ano das previsões do FMI.

“O efeito da depreciação do kwanza na economia é, infelizmente, pouco claro, numa economia normal, seria de esperar que uma taxa de câmbio mais baixa fizesse subir o custo dos bens importados, aumentando a inflação, o que seria um problema para um país como Angola, que é tão dependente das importações”, explicou John Ashbourne.

O problema, apontou, é que “em Angola uma grande, mas inquantificável parte das transacções totais já são feitas no mercado negro, a uma taxa paralela, por isso não são afectadas directamente pela mudança na taxa de câmbio oficial”, por isso “sem saber qual é a percentagem ao certo, é difícil fazer estimativas sobre o impacto na inflação”.

Depois da forte descida de 16% na sexta-feira, o Banco Nacional de Angola (BNA) anunciou que convocou para quarta-feira uma sessão extraordinária do comité de política monetária face à evolução dos indicadores monetários e cambiais e à necessidade de adoptar medidas de adequação no curto prazo.

Num comunicado divulgado na sexta-feira à noite, o conselho de administração do BNA anunciou uma sessão extraordinária para 23 de Outubro, “no âmbito do seguimento e avaliação permanente da evolução dos indicadores dos mercados monetário e cambial, tendo-se mostrado necessária a adequação das medidas e instrumentos de política monetária e cambial”.

A moeda nacional angolana perdeu 15,8% este mês, segundo os dados oficiais do BNA, que reviu novamente os câmbios na sexta-feira à tarde, o que arrastou o kwanza para uma perda de 31,3% desde Janeiro.

De acordo com os cálculos da Lusa, com base nos dados do banco central angolano, um dólar valia em 18 de Outubro 449 kwanzas (valor médio), quando em 01 de Outubro a equivalência era de 378 kwanzas.

Olhando para os dados desde o princípio deste ano, a tendência mantinha-se, já que o kwanza perdeu 31,3% desde 01 de Janeiro.

No final da sessão do comité de política monetária, o Banco Nacional de Angola irá publicar um comunicado resumindo as principais conclusões, assim como medidas de política a serem adoptadas no curto prazo.

Fonte: Lusa.

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