Luanda acata aos conselhos da polícia de modo a combater onda de assassinatos cirúrgicos. Criminalidade aumentou 57% em 2018 e mantém trajetória em 2019.

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O aumento dos crimes violentos nas ruas de Luanda já levou a Polícia Nacional a pôr a circular nas redes sociais angolanas um alerta com conselhos de segurança individuais.

Um homem, assassinado ontem junto a uma dependência bancária no distrito urbano do Alvalade é a mais recente vítima da onda de crimes violentos que se está a fazer sentir na capital angolana, aumentando para 12 o número de mortes em Luanda, só nas duas últimas semanas.

A situação levou a Polícia Nacional de Angola a pôr a circular nas redes sociais um alerta com sete conselhos de segurança. Evitar andar de noite, não estacionar em locais impróprios e com pouca iluminação e não dar boleia a desconhecidos, incluindo pessoas do sexo feminino são alguns das advertências na mensagem posta a circular.

“Não buzine ao chegar junto à portaria da sua casa”, “Não receba em sua casa pessoas estranhas, independentemente do assunto que pretendam tratar”, “Evite abrir a porta no calar de noite para atender eventuais pedidos de socorro, pode ser uma cilada” e “não aceite ofertas de desconhecidos, pode ser uma cilada”, terminam a lista de alertas.

Os sete conselhos são acompanhados por uma lista de números de telefone dos principais postos de polícia da capital e um pedido de partilha desta informação: “Divulguem o máximo possível. Desta forma estarais a contribuir para a minha, a tua, a nossa e a vossa segurança”.

Recorde-se que só na quinta-feira, foram assassinadas três pessoas: um efetivo da Polícia Nacional que foi morto à saída de uma sucursal bancária, em Viana; o motorista de um comissário reformado que saía de um banco na Av. 21 de Janeiro; e um luso-angolano que também foi abatido a tiro junto ao Tribunal Provincial de Luanda, na Baixa da capital, também à saída uma agência bancária.

Nos primeiros seis meses do ano, registaram-se 323 homicídios voluntários e 389 violações sexuais, segundo os dados do Comando Provincial de Luanda da Polícia Nacional.

“82% dos homicídios voluntários resultaram da resistência a assaltantes durante roubos”, revelou o porta-voz da Polícia Nacional, intendente Hermenegildo Brito, em Luanda, na apresentação dos dados.

Criminalidade aumentou 57% em 2018.
O relatório da Polícia Nacional mostra um significativo aumento em relação ao ano anterior, com 72.174 crimes. Polícia está preocupada com a subida nas agressões.

Os dados constam do Relatório de Segurança Pública de 2018, apresentado hoje, em Luanda, pelo porta-voz do Comando-Geral da Polícia Nacional, Orlando Bernardo.

De acordo com as estatísticas, em 2018 foram registados mais 26.301 crimes comuns comparativamente a 2017 (um total de 45873 crimes), o que representa um aumento de 57% da criminalidade. De registar uma redução nos crimes económicos, 1.825 (-545).

As províncias de Luanda, Benguela, Bié, Huíla, Huambo e Cuando Cubango lideram, entre as 18 regiões do país, as cifras criminais, representando 62% do total geral.

Da ação policial no ano passado resultou a detenção de 49.453 presumíveis autores de crimes, representando um aumento de mais 13.599 pessoas comparativamente a 2017

O aumento da criminalidade geral incidiu essencialmente sobre:

  • os furtos, com 17.937 casos (+5.981) comparativamente a 2017;
  • as ofensas corporais, com 11.762 (+3.301 do que no ano anterior);
  • os homicídios voluntários, com 1.473 casos (+ 219),
  • e a posse, uso e tráfico de estupefacientes, com 2.151 (+ 838).

Em declarações à agência Lusa, o porta-voz do Comando-Geral da Polícia Nacional, Orlando Bernardo, disse que o aumento de crimes por ofensas corporais preocupa as autoridades policiais devido à sua dificuldade de prevenção.

“Boa parte delas ocorrem no seio familiar, derivados do consumo exacerbado de álcool e outras substâncias psicotrópicas por parte dos cidadãos que em convívio ou noutras atividades com pessoas próximas faz com que haja esse aumento”, disse.

O relatório indica que do total de 11.762 crimes por ofensas corporais 9.842 foram graves, tendo a maioria ocorrido em Luanda, capital de Angola, com 3.623 (+1.353), seguindo-se as províncias de Benguela, com 1.844 (+1.477), a Huíla, com 989 (+102), o Huambo, com 1.258 (+532), Cuanza Norte, com 593 (-99), Cuando Cubango, com 532 (+34) e o Bié, com 508 (-62).

“As principais motivações foram, dentre outras,

  • as rixas/desavenças,
  • questões passionais e crença no feiticismo na sua maioria praticadas por pessoas conhecidas das vítimas, durante a convivência”, refere a polícia no relatório, acrescentando que 4.754 casos foram com recurso a arma branca, 3.725 por espancamento, 868 com objetos contundentes, 759 com objetos cortantes, 680 com objetos de arremesso, 448 com armas de fogo e 33 por queimadura.

O documento aponta igualmente um aumento dos crimes de violações, com um total de 1.750 casos, representando um aumento em mais 242 comparativamente a 2017, sendo as principais vítimas menores de idade, entre os dois e 17 anos, em que os autores geralmente são familiares ou pessoas próximas.

“Estes crimes ocorreram 454 (+122) na via pública e 1.296 (+120) no interior de residências, estabelecimentos comerciais e outros locais reservados, em circunstâncias que escapam à vigilância policial”, lê-se no relatório.

Em 2018, a polícia registou um total de 40 raptos, um aumento de 12 casos comparativamente a 2017, com Luanda a liderar com 20 casos (+13), seguindo-se Huambo, com 11 (+6), Lunda Sul, com três, Benguela, com dois, e Zaire, Moxico, Cuanza Norte e Bié, com um caso cada.

Nesta tipicidade criminal, explica-se no relatório, os criminosos tiveram como ‘modus operandi’ a abordagem em viaturas das vítimas, atuando em grupos de dois a quatro elementos, sob ameaças com arma-de-fogo, anunciando o rapto e levando a vítima de forma coerciva de um ponto para outro, privando-a de liberdade, com um pedido de resgate, principalmente a cidadãos estrangeiros, com realce para os de nacionalidade chinesa.

Na base da criminalidade, no relatório destaca-se, entre várias causas, a cultura de violência entre jovens, “que assumem comportamentos desviantes, recorrendo a objetos cortantes e contundentes, em qualquer desentendimento entre parceiros de convívio ou mesmo contra membros da própria família, causando lesões graves ou morte em alguns casos”.

Fonte: Pltf.

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