O analista que segue as economias africanas na consultora Capital Economics considera que Angola pode ser um dos países mais beneficiados com o alívio de dívida, que pode chegar a 1,1% do PIB.

“É difícil ter números atualizados sobre os pagamentos de dívida divididos por credor, mas os números de 2018 dão uma boa indicação, e sugerem que Angola pode ser um dos que receberia o maior alívio temporário”, disse William Jackson, numa nota enviada à Lusa.

De acordo com os dados apresentados pela consultora Capital Economics, Angola poderia ‘poupar’ o equivalente a 1,1% do PIB se não fizesse pagamentos de dívida este ano, tendo em conta os valores de 2018, que estão desatualizados face ao endividamento contraído por Angola neste e no passado.

A análise da Capital Economics surge na sequência das decisões tomadas durante a reunião do G20 e do Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial, na semana passada, relativamente a uma suspensão dos pagamentos da dívida para os países mais endividados e que não conseguirão canalizar a despesa pública para a contenção da pandemia da covid-19, e na mesma altura em que a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) propõe um perdão de dívida de 1 bilião de dólares, cerca de 920 mil milhões de euros.

“O acordo no G20 para permitir que as economias de baixo rendimento suspendam os pagamentos da dívida sobre os empréstimos bilaterais vai ser menos uma coisa no prato dos desafios económicos dos decisores políticos africanos, mas ainda assim estes pratos em sentido figurado continuam bastante cheios”, acrescentou o analista.

O Fundo Monetário Internacional (FMI), diz a Capital Economics, “apresentou um pacote semelhante de alívio da dívida relativamente às obrigações de um conjunto menor de países para com o Fundo, mas manteve-se até agora reticente em juntar-se ao acordo mais amplo desenhado no G20”.

O problema, acrescenta William Jackson, é que “os credores privados, apesar dos apelos, ainda não apoiaram as moratórias propostas” por estas organizações internacionais, que, a acontecer, “beneficiariam principalmente Angola, seguido do Gana, Etiópia, Quénia e Nigéria”.

A Zâmbia já está a tentar reestruturar a sua dívida sem o apoio do FMI, “e outros países podem ver o FMI pedir uma reestruturação da dívida como parte do pacote de ajuda financeira, com Angola a muito provavelmente cair nesta categoria, mas os alertas de dívida problemática já estão no vermelho também na Gana e na Etiópia”.

Fonte: Notícias ao Minuto