O secretário de Estado para a Saúde Pública de Angola disse hoje, em Luanda, que o país vai alargar a testagem à covid-19 para 15 províncias na próxima semana e que estão a ser abrangidos diferentes grupos populacionais. 

Franco Mufinda respondia hoje na Assembleia Nacional de Angola à preocupação apresentada por deputados sobre a lentidão na realização de uma testagem maciça entre a população, no âmbito da aprovação do terceiro pedido de prorrogação do Estado de emergência, por mais 15 dias, devido à pandemia causada pelo novo coronavírus. 

Angola regista até à presente data 36 casos positivos, num total de pouco mais de 4.000 testes, com o registo de dois óbitos e 11 pessoas recuperadas, estando a cumprir o estado de emergência, decretado no passado dia 27 de março. 

Segundo o governante angolano, a testagem está a ser realizada em grupos populacionais diferentes e não apenas em passageiros chegados, antes da declaração da cerca nacional.

“A covid-19 trouxe um desafio, o crescimento do conhecimento, que é quase diário, e mais do que isso, a própria logística desse processo decisório, de modo que começámos com pouco mais de 100 testes doados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), com o surgimento do primeiro caso suspeito e hoje temos no país uma capacidade que passou de uma feitura de 90 testes por dia para pouco mais de 350”, disse.

O governante angolano frisou que o país tem agora três pontos de testagem e prevê a expansão, até à próxima semana, a testagem em 15 províncias “com o recurso ao ‘genexpert’, que é o aparelho que realiza a testagem de tuberculose”.

“Já distribuímos 300 zaragatoas em cada província para proceder à colheita e assim realizar a leitura do que acontece na sociedade”, disse.

Franco Mufinda esclareceu que, epidemiologicamente, é impossível testar toda a população e “ninguém o faz no mundo”.

“O que importa aqui é escolher uma amostra que seja representativa da sociedade, enquanto logisticamente vamos tendo acesso aos testes”, indicou.

“A OMS ainda não recomendou o uso de testes rápidos, por enviesarem os resultados, nós usamos em Angola o teste de ouro, o padrão, que é o RT-PCR, é com isso e agregando a ‘genexpert’, que vão alargando a nossa base”, acrescentou.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de convid-19 já provocou cerca de 267 mil mortos e infetou mais de 3,8 milhões de pessoas em 195 países e territórios.

Fonte: Lusa