Líder do PRA-JA defendeu o regresso a Angola dos familiares do antigo presidente para se defenderem das acusações de que são alvo, embora reconheça que a justiça é “excessivamente” partidarizada.

“Há um ditado que diz: quem não deve não teme e a ausência dos atores em determinados parâmetros muitas vezes sustenta a análise de que há responsabilidades”, disse o coordenador da comissão instaladora do projeto político PRA-JA, em entrevista à Lusa, questionado sobre as alegações de familiares do ex-chefe do Estado que dizem estar a ser perseguidos por João Lourenço.

O político angolano e líder do PRA-JA defendeu o regresso a Angola dos familiares do antigo presidente José Eduardo dos Santos para se defenderem das acusações de que são alvo, embora reconheça que a justiça é “excessivamente” partidarizada.

“Teria sido bom se eles estivessem aqui e se defendessem aqui, mostrando que têm razão e não temem. Seria muito bom para o país, porque ao estarem longe as pessoas ficam com a ideia que fugiram”, frisou o também antigo presidente da coligação CASA-CE e ex-dirigente da UNITA, o maior partido da oposição angolana.

Abel Chivukuvuku diz que “infelizmente em África”, a política tem “riscos e custos”, mas “quem tem razão, quem sabe da sua inocência e é justo, assuma isso” porque “todos nós corremos riscos”.

O político sublinha que “gostaria de ver as coisas discutidas aqui [em Angola]”, embora admita que a justiça é “excessivamente” partidarizada.

“Tenho noção disso, mas é com a nossa luta que vamos transformar os fenómenos, não é estando ausente disso tudo, é participando, é fazendo face e mostrando ao cidadão: estou aqui”, insistiu.

Abel Chivukuvuku, que se queixa também de estar a ser “travado” pelo regime após várias tentativas frustradas de legalização do seu novo projeto, afirmou que é preciso mostrar que tem os mesmo direitos que os outros cidadãos angolanos.

“Defendo-me aqui e vou lutar aqui por esses direitos”, afirmou o líder do PRA-JA, assegurando que “meter na cadeia, não vão conseguir” porque “o mundo todo vai gritar”.

Três dos filhos do ex-presidente José Eduardo dos Santos têm estado sob a atenção mediática protagonizando processos judiciais e políticos que, alegam, tratar-se de perseguições.

O mais célebre é o caso da filha mais velha, a empresária Isabel dos Santos, que foi considerada a mulher mais rica de Africa, mas viu em dezembro os seus bens e contas das empresas arrestados em Angola e é alvo de processos cíveis e criminais.

Os esquemas financeiros de Isabel dos Santos e do marido, Sindika Dokolo foram expostos numa investigação do consorcio internacional de jornalistas que ficou conhecida como “Luanda Leaks” e expos como foi construída a sua fortuna, retirando dinheiro do erário público angolano, utilizando paraísos fiscais.

A irmã, Welwitschia “Tchizé” dos Santos, ex-deputada do MPLA, foi afastada do cargo em outubro de 2019 por faltas injustificadas e viu posteriormente suspensa a sua condição de militante por dois anos. Tchizé alega que tem estado fora do país por questões de saúde e ter sido ameaçada de morte e estar a ser pressionada para vender as suas participações em empresas angolanas.

O irmão, José Filomeno “Zenu” dos Santos, encontra-se a ser julgado em Angola. O filho de José Eduardo dos Santos e antigo presidente do Fundo Soberano de Angola é acusado de burla por defraudação, branqueamento de capitais e tráfico de influência no caso conhecido como “500 milhões”, envolvendo uma alegada transferência irregular de 500 milhões de dólares do Banco Nacional de Angola para o estrangeiro.

O pai, José Eduardo dos Santos, vive em Barcelona e foi chamado a testemunhar no julgamento, mas optou por responder por escrito assumindo ter dado ordens para a transferência do dinheiro pela qual o filho está a ser julgado.

O julgamento foi entretanto interrompido devido à pandemia.

Fonte: Observador, Lusa