JOÃO VICTOR: A DIVERSIFICAÇÃO ECONÓMICA

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Se partirmos do pressuposto, de que a economia é a ciência que estuda os fenómenos económicos, ou as actividades económicas, ou ainda, que se ocupa da racionalização dos parcos recursos, de uma determinada sociedade, poderemos chegar a conclusão, depois de acesos debates, que a economia é uma ciência, que consiste no estudo e analise da produção, distribuição e consumo, de bens e serviços, transacionados num determinado mercado.

Se no entender de muitos economistas, ela divide-se em macroeconomia e microeconomia, o que respectivamente, equivalem ao colectivo e ao individual, para falarmos sobre diversificação económica, devemos antes de mais, pensarmos do principio, em que pelo micro, passa a resolução do nosso problema.

O discurso hodierno, que amarrou-nos a diversificação económica, como se este fosse um elemento fundamental, para a saída da crise Angolana, esqueceu-se que a diversificação económica, como meras palavras ou conceito, não corresponde a um produto, bem ou serviço, que possa dar sustentabilidade económica. Os donos deste discurso não especificam, nem indicam os passos a seguir para se chegar a tal diversificação, nem tão pouco para o quê, nem como diversificar.

Diversificação económica, é uma estratégia de desenvolvimento, que permite um pais, ou uma determinada economia, criar mecanismos, para a produção de diversos produtos, libertando-se da dependência de um único elemento, do qual deriva ou se sustenta toda uma economia, que para o nosso caso tem sido o Petróleo.

Olhando desta forma, para aquilo que representa de facto um dos elementos chaves, para a diversificação económica, propriamente dita, teremos de fazer soar o famoso slogan do Presidente Agostinho Neto, que diz que “ A agricultura é a base e a industria é o factor decisivo” só assim estaremos de facto a falar em diversificação económica, em que a economia micro, deve estar em primeiro lugar, para que haja a macro.

Como assim? Pois! Se pensarmos em microeconomia, onde a agricultura familiar, corresponde ao elemento basilar, estaremos a dar os primeiros passos para saída da crise, em que nos encontramos, em direção a tal propalada, diversificação económica, que se pretende.

A agricultura familiar, que representa a primeira fase da diversificação económica, tem como primeiro plano o sustento das famílias, compondo mais de 65% dos produtos da sexta básica, cujo excedente, permitira o abastecimento do mercado local, num primeiro momento.

Na segunda fase, da diversificação económica, que consiste na comercialização dos produtos, frutos da primeira fase, representando o excedente do consumo primário, já estaremos em condições de poder falar na exportação desses mesmos produtos, concorrendo em mercados internacionais e desta forma angariar divisas.

Na terceira fase, da diversificação, já estaremos a falar do factor decisivo, que é a industrialização, ou simplesmente transformação dos produtos do campo. É nesta fase, em que toda a produção, quer seja familiar ou não, deverá ser encaminhada, para a transformação e consequente conservação. Aqui estaremos de facto perante a verdadeira economia diversificada.

As três fases conjugadas, estarão a empregar recursos, humanos, financeiros e tecnológicos, para o desenvolvimento do pais. Elementos estes, que precisam de ser enquadrados, num esquema de desenvolvimento equilibrado.

Ora! Para que isso aconteça, o executivo, precisa primeiro contar com quadros capazes e que entendam de facto o que se pretende. Não que eles não saibam, claro! Mas que entendam o que se pretende. São duas coisas completamente diferentes. A primeira é saber o que é, e a segunda é perceber o que se pretende.

Do tanto que se falou sobre a diversificação económica, levou a criação de vários fundos de apoio, programas de investimento, créditos para muitas coisas. Se pararmos hoje e analisarmos, tudo do principio, vamos perceber que ainda não estamos alinhados, a aquilo que deveria ser a melhor pratica, para atingirmos o objectivo pretendido.

Se olharmos para Província do Bengo, como exemplo, e fizermos uma analise, sobre o desenvolvimento agrícola daquela Província, vamos perceber que, neste momento, e de acordo com as informações, que nos chegam de lá, atenção que informações, não são estatísticas, ainda há esse detalhe para analisar, é a Província com maior índice de produção de banana, segundo informações, repito. Assim sendo, e estando nesta categoria, vamos olhar para o próprio mercado do Bengo. Possui um índice elevado, na produção de banana, será que tem capacidade para fornecer ao mercado local?, a Província do Bengo, precisa ter o mercado local satisfeito, para à seguir exportar para Luanda e outras Províncias. É preciso perceber que enquanto aquela produção, não for suficiente para aquele mercado, não podemos falar em exportação, para outras províncias ou mesmo para o estrangeiro. Assim funciona a economia local.

Todo esse conjunto, de produção, distribuição e consumo, deve ser constantemente acompanhado, supervisionado e fiscalizado, pelo executivo, no sentido, de se poder aferir de facto, qual o nível de produção que se regista em cada província, ou região.

Ou seja, o sistema de controlo do executivo deve ser aprimorado, para que possa relatar, em todo tempo, onde e quando estará a ser produzido este ou aquele produto, em que quantidades e em que nível de qualidade, para que se possa determinar, o nível da diversificação económica.

Dizer apenas, que já existem produtos nacionais, é bonito de se ouvir, mas o bom seria, saber onde se produz, em que quantidades, níveis de qualidade, e em que fase estamos, com tais produtos. Se ainda estamos na fase um, ou fase dois, da diversificação económica.

No meu entender, a diversificação, deve sair do papel e das palavras, e passar, para a realidade. Deixar de ser discurso e apresentar um curso. Os programas de apoio financeiro e fundos de apoio ou financiamento, devem ser revistos, para que cumpram de facto com o seu papel de financiar, a fase inicial, do processo de diversificação económica, que consiste no financiamento da agricultura familiar, e seus processos acessórios.

Para que a nossa economia, deia os resultados, pretendidos, devem os decisores, abandonar as praticas ilustrativas, e passar efectivamente, para as praticas reais, daquilo que é a realidade factual. Só assim, poderemos diversificar a nossa economia, e apresentar resultados, a breve trecho.

João Victor de Jesus Pili
Gestor e Consultor de Empresas e Negócios.

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