Em entrevista ao Essentially Sports, ex-companheiro do camisa 23 dos Bulls afirma que Bryant “trabalhou duro” para evoluir na carreira, tornando-se “o melhor em qualquer âmbito da vida”

As polêmicas envolvendo os personagens de “The Last Dance” parecem não ter fim. Após diversas manifestações de insatisfação por parte dos envolvidos no documentário sobre a carreira de Michael Jordan, agora foi a vez de Scottie Pippen alfinetar o ídolo máximo do Chicago Bulls. Em entrevista ao Essentially Sports nesta quarta-feira, o ex-companheiro do camisa 23 afirmou que Kobe Bryant foi melhor que Jordan “mesmo que muitos não vejam isso”.

Se esforçou muito para ser como Michael e realmente conseguiu. Quando vejo vídeos de partidas antigas dele, penso e digo a mim mesmo: “esse cara foi realmente melhor que Jordan!”. Trabalhou muito duro, saiu direto do ensino médio, não precisou passar pela Universidade da Carolina do Norte e ter um treinador como Dean Smith. Estou muito convencido: ele era melhor que Michael, mesmo que muitos não vejam isso – destacou Pippen, que segundo o jornalista David Kaplan, da ESPN, ficou furioso com Jordan por conta do documentário.

Hexacampeão da NBA pelo Chicago Bulls ao lado de Jordan, Scottie Pippen também fez questão de elogiar o êxito de Kobe Bryant – falecido em acidente de helicóptero em janeiro – em outras áreas.

– Kobe era de um tipo inteligente e se esforçava para ser o melhor em qualquer âmbito da vida. Fazia o que podia, realmente o que fosse para se tornar o melhor. Fez isso na NBA e também para ganhar um Oscar pelo seu curta-metragem e converter seus livros em best-sellers. Odeio não poder dizer para ele o quão bom era na realidade. Creio que muitas pessoas não tinham dimensão do que ele fazia – frisou.

O silêncio de Pippen sobre o documentário vinha sendo alvo de questionamentos desde que os primeiros episódios foram lançados. Muitos já especulavam que o ex-ala não havia ficado satisfeito com a imagem que Jordan o havia retratado, assim como outros ex-companheiros, na produção.

Logo nos primeiros episódios, em uma entrevista atual, Jordan disse reprovar a briga de Pippen por um melhor salário nos Bulls – apesar de ser um dos astros na franquia, tinha apenas o 122° salário na NBA. Por conta disso, Michael Jordan disse que o ex-companheiro havia sido egoísta em meio à disputa das finais da Conferência Leste de 1990, contra o Detroit Pistons.

O documentário também aborda outro momento controverso de Pippen durante seu período em Chicago. Após os três primeiros títulos dos Bulls na NBA, Michael Jordan decretou a sua primeira aposentadoria e foi jogar beisebol. Quem assumiu o protagonismo da franquia foi Pippen. Com a bola mais tempo na mão, o ala teve os melhores números da sua carreira na liga no período entre o fim da temporada de 1993/94 e o meio da temporada de 94/95 e foi eleito o MVP do All-Star Game.

Contudo, ele se envolveu em uma polêmica nos playoffs de 94, quando se recusou a voltar para um jogo da semi do Leste ao ser preterido pelo técnico Phil Jackson, que escolhera o croata Tony Kukoc para dar o arremesso final. No documentário, a história foi relembrada de forma efusiva com Pippen assumindo o papel de vilão.

Fonte: globo.com