A questão da dívida angolana à China, avaliada por Luanda em 23 mil milhões de dólares norte-americanos, foi abordada no passado fim-de-semana entre os ministros das Relações Exteriores dos dois países. O ministro angolano, Tete António, também chamou a atenção do homólogo Wang Yi para o programa de privatizações em curso no país, de acordo com uma declaração do Governo de Angola.

Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores de Angola não detalha em que ponto estão atualmente os contatos entre os dois países em relação à dívida. Todavia acrescenta que o ministro Tete António incentivou ao investimento chinês em Angola, aproveitando, designadamente o processo de privatização em curso de 195 empresas.

O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, enfatizou a “confiança mútua” que tem sustentado as relações entre os dois países e destacou a ajuda que Pequim tem dado a Luanda na luta contra o Covid-19.

A relação dívida pública / PIB de Angola atingiu 109 por cento no final de 2019, com mais de 40 por cento da receita total do Governo destinada ao serviço da dívida externa pública. Estimativas avançadas pela Economist Intelligence Unit (EIU) apontam para que os encargos espera que o peso da dívida pública angolana aumente ao longo deste ano. De acordo com o relatório mais recente da EIU sobre Angola, são esperados mais atrasados e, possivelmente, uma falha nos pagamentos (default) total.

“Uma grande parte da dívida do país é devida à China, pelo que um acordo pode ser intermediado bilateralmente, mas isso pode levar a vincular o reembolso à receita futura do petróleo a uma taxa menos favorável, uma prática que Angola deseja parar, como já o disse anteriormente desejar parar”, lembra a EIU.

Em 15 de abril, os Ministros das Finanças do G20 concordaram em oferecer a 77 países uma suspensão dos pagamentos de dívidas a outros governos, entre maio e dezembro do corrente ano. O acordo do G20 assinala igualmente que “os credores privados serão convidados a participar publicamente da iniciativa em termos comparáveis”.

Fonte: Plataforma