O economista e jornalista angolano Carlos Rosado de Carvalho revelou em Luanda, que perdeu esperança no Presidente da República no que toca o combate á corrupção.

Falando em entrevista à Rádio Online CamundaNews, justificou que passados três anos, desde a sua chegada ao poder, João Lourenço teria uma atitude diferente do seu antecessor José Eduardo dos Santos, que governou o País, ao longo de 38 anos.

O também docente universitário desacredita ainda mais, pelo de facto haver algumas denúncias de corrupção, sublinhando o depósito de 17,6 milhões de dólares na conta do braço direito de João Lourenço, Edeltrudes Costa, quando era ministro de José Eduardo dos Santos.


” A não ser que respeite, a todos os protocolos mas, como é possível que uma pessoa que é ministro ou director de gabinete, que nunca foi outra coisa, ter rendimentos que lhe possam depositar 17 milhões de dólares”.

O economista lamenta que o sistema político em Angola esteja centralizado tudo no Presidente da República.

“Os próprios ministros nem todos têm acesso ao presidente da república, e tudo isto nós sabíamos e, é o que aconteceu no tempo de José Eduardo dos Santos e, é exatamente a mesma coisa que está a acontecer com João Lourenço”, lamentou.

Carlos Rosado diz-se indignado, por acreditar, que João Lourenço não esteja alheio à estás e outras situações que enfermam a conjuntura política e social do país e que já eram criticadas na antiga governação.

” Depois não sei quê, é enganado, mas é enganado só quem quiser. E aparentemente o presidente João Lourenço gosta de ser enganado, porque aquilo que nós vemos de denúncias, no caso agora de covid, foram comprar um condomínio, ou seja, umas casas lá no Calumbo. O porquê que não vêem esclarecer quem são os beneficiários”, questionou.

O jornalista lamentou também, o recente arresto das três torres por pare da PGR. Naquilo que chama de roubo, crítica a forma como o tema foi tratado, principalmente pelo facto de ninguém conseguir dizer quem eram de facto os donos dos edifícios, identificados apenas como altos funcionários da Sonangol.

“Então, são essas práticas que eu acho que o Presidente João Lourenço está a se deixar enveredar. Foram erros cometidos pelo anterior presidente, José Eduardo dos Santos e que fazem de alguma maneira desconfiar de nós podermos melhorar o combate à corrupção”, concluiu.

Recordamos que desde que chegou ao poder em 2017, vários têm sido os escândalos que envolvem actuais membros do governo de João Lourenço.

Em Março passado, uma reportagem da TVI que não chegou a ser emitida, traria depois do Luanda Leaks, “revelações” que “atingem o governo de Angola.

A reportagem aborda negócios de familiares de João Baptista Borges que responde pela pasta da Energia e Águas desde o governo de José Eduardo dos Santos. Com interesses em comum, com Edeltrudes Costa, o titular Energia e Águas é citado na reportagem parte interessada em transações em Off-Shores (Valoris International Services e Mundideias) que depois são usadas para transferências de dinheiros para Portugal.

A TVI cita um prédio (na rua D. Manuel II, números 28 a 30, na cidade do Porto) comprado por 7 milhões de euros por parte de Paulo Ivanilson Cabral Borges, o filho do ministro da Energia e Águas.

Para além dos negócios do filho, a reportagem menciona Ana Borges, a mulher do ministro que por sua vez é sócio da empresa Megawatt, que presta serviços a ENDE, empresa estatal de electricidade que teve no passado João Baptista Borges como PCA.

Entre 2011 e 2012 a “Megawatt” recebeu contratos de euros 329 mil com a Ambergol, uma empresa que tem contratos com este departamento ministerial cujo titular é o esposo, Borges.

O Programa “Ana Leal” traria também o exemplo da Marketpoll empresa detida por Paulina Cardoso, a esposa do ex-Ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da República, Frederico Manuel dos Santos e Silva Cardoso. A Marketpoll recebeu em 2017, 4 milhões de euros do MPLA por serviços como “pesquisas qualitativas e quantitativas” .

Fonte: Angonotícias