O processo de independência em Angola foi complexo por envolver factores internos como a existência de diversas etnias com diferentes valores culturais e interesses económicos. 
Já é tempo de olharmos o país como uma Nação e de percebermos que somos e continuaremos a ser um grupo de pessoas em que apesar de cada um ter os seus objectivos, anseios e sonhos individuais , compartilhamos determinadas características comuns que nos fazem estar integrados dentro de um todo, nos posicionando numa dimensão colectiva muito superior à nossa dimensão individual. 
O todo corresponde sempre ao povo e não a uma parte dele. 
Todas as partes integrantes desse todo são  chamadas a contribuir para a edificação da Nação , sendo que os partidos políticos, associações civis, movimentos de jovens revolucionários, sao apenas uma das várias partes que compõem este grande mosaico chamado Angola. 
As pessoas independentemente da cor, religião, estatuto social, filiação partidária têm direitos e deveres que devem ser respeitados e assegurados. 
Qualquer democracia se constrói dia a dia com o respeito pelos direitos, liberdades e garantias fundamentais. 
A semelhança do reino animal que é composto por vários animais onde nao são todos águias (que dominam os céus) ou leões (que dominam em terra).
A sua beleza e o seu papel no equilíbrio ambiental não se resumem a estes dois animais. 
  Em Angola não podemos querer ser todos vistos como águias ou leões, mas tal como no reino animal cada um de nós pode e deve ter a possibilidade de poder exercer o seu papel dentro da colectividade, mostrando assim uma relação de dependência e ajuste complexo necessário para a sua própria existência. 
Além de águia ou leão , qualquer um de nós pode ser qualquer outro animal  que irá contribuir para o tão importante equilíbrio ambiental. 

Um país para ser de todos, tem que se fazer com todas as suas partes integrantes .
 Devemos entender o todo como um conjunto de partes que sem deixar nada de fora, somente com o somatório das partes atingirá a sua plenitude. 
Em Angola existem determinados sectores que sendo parte desse todo, algumas vezes são tentados a pretender – se identificar-se como um todo. Por mais importante que seja uma determinada parte representativa da sociedade , quer esteja no poder ou na oposição, devido ao seu papel histórico ou cultural ela continuará a ser sempre uma parte  e uma parte sem as outras partes não constituem um todo. Por exemplo, o carro enquanto conjunto de partes se pegarmos apenas no motor( que até é uma das partes mais importantes) ele não vai andar, é necessário juntarmos todas as outras partes tais como os pneus, mudanças, bateria , etc, para o carro funcionar. O carro até pode ligar com um conjunto de partes, mas funcionar apenas com uma parte isso será sempre impossível, por mais boa vontade que tenhamos. 
Um dia um grande pensador Gregório Matos disse: 
O todo sem a parte não é todo
A parte sem o todo não é parte 
Mas se a parte o faz todo sendo parte 
Não se diga que é parte sendo todo 

Dos inúmeros grandes desafios que Angola enfrentará nos próximos 45 anos passará seguramente por juntar, reunir todas as suas partes integrantes. 
Quando isso acontecer estaremos a construir além de um país, uma nação e iniciaremos o seu desenvolvimento. 
Este grande Ferrari denominado Angola não terá apenas o motor mas também as outras partes para poder finalmente começar a funcionar. 
Outro grande desafio será entender, compreender o que é interesse público. Não nos podemos esquecer que interesse público é o interesse colectivo, o interesse geral de uma determinada comunidade, o bem comum. 
O interesse público não é um interesse da oposição, das associações civis , dos movimentos de jovens revolucionários ou mesmo o interesse do partido no poder. 

Como já dizia São Tomás de Aquino, o bem comum é tudo aquilo que é necessário para que os homens não apenas vivam mas vivam bem.  
O que eu quero para mim devo querer sempre para os outros, o que é público não é somente para mim, mas sim para todos, já que o sol quando nasce é para todos. 
Se pensarmos assim, estaremos a honrar a memória dos nossos antepassados, preservar a paz e a reconciliação nacional e a edificar uma Nação independente com vista ao seu desenvolvimento. 


Nilton Caetano Advogado Docente na Universidade Gregório Semedo 
Mestrando na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa